domingo, 18 de fevereiro de 2018

Resenha: A mulher na janela / A. J. Finn


Esse é aquele tipo de livro que cada nova página parece uma nova cena de tão bem escrito, um final eletrizante que me fez ficar aflita junto com Anna Fox para descobrir toda a verdade, mesmo que ela não seja nada agradável.

Graças a Editora Arqueiro, já deixo desde já mais uma vez o agradecimento, o blog foi selecionado para ler o livro antes do lançamento, que será mês que vem (março). Compartilhamos com vocês em primeira mão nossa resenha e já vai juntando dinheiro, porque esse vai ser um #mustread para todo #HarlanLover.

Nos primeiros capítulos achei um pouco cansativo, demorei bastante para ler as primeiras cinquenta páginas, porque A. J. Finn precisa nos ambientar e construir todos os personagens, principalmente a principal Anna Fox, ou para quem não tem intimidade Dra. Fox, mas depois que a gente se ambienta o livro fica eletrizante, então fica a dica inicial: não desamine no início, toda a ambientação vai fazer sentido.

Anna Fox possui agorafobia, uma doença que faz com que ela tenha que ficar dentro de casa, em seu ambiente seguro, para ela ir no seu próprio jardim é um desafio, comemorado quando atingido. Ela é fã de filmes policiais antigos, aqueles em preto em branco, como os de Hitchcock, estão entre os seus favoritos. No passado ela fora médica psicanalista especialista em crianças, mas já faz alguns meses que sua casa é seu único refúgio, como hobbie para o tempo vago, além dos filmes, Anna gosta de bisbilhotar a vizinhança, com sua câmera fotográfica ela vai  observando o dia-a-dia dos vizinhos, sabe que de um lado uma esposa trai o marido assim que ele sai, em outra casa tem um adolescente músico que toca muito bem por sinal, uma das vizinhas promove um clube do livro, que Anna inclusive lê os livros que por lá são discutidos, nada muito tóxico, afinal ela só precisava distrair a mente e não fazia mal algum acompanhar de longe a vida dos vizinhos, não é mesmo?

Tudo começa a mudar quando uma nova família, os Russels, se muda para uma casa que fica a uma praça de distância da casa de Anna, ela subitamente desenvolve uma fixação por descobrir mais sobre os recém-chegados, quem são eles? O que fazem? Por que se mudaram? E não é lá muito fácil ter respostas a essas perguntas quando não tem contato físico com as pessoas.

Certo dia quando Anna precisa ir até a porta de casa porque as crianças estavam jogando alguma coisa nela, ela dá de cara com Jane Russel, a tal nova vizinha, que resgata Anna após um escorregão e o mais inusitado é que Anna a convida para entrar e as duas passam a tarde conversando. Anna achou Jane uma mulher incrível, super alto astral, imaginou que poderia ter uma amizade com ela.

Só que algumas coisas estranhas começam a acontecer, que cominam com Anna vendo através de sua câmera Jane ser esfaqueada lá do outro lado do parque. Ela tenta ir até lá, mas perde as forças, entra em crise e é resgatada por uma ambulância no meio do parque. Tudo fica mais estranho quando ao acordar no hospital, Anna descobre que os detetives não encontraram nenhuma mulher esfaqueada, a Sra. Russel estava em casa, passando muito bem de saúde.

Nesse momento preciso contar mais um detalhe sobre Anna, ela tinha um hábito muito ruim de misturar bebida alcoólica com a sua medicação, mas não era uma taça, era uma ou duas ou quem sabe mais, garrafas de vinho. Então, ficamos pensando junto com os detetives que claro, ela estava delirando, ninguém foi esfaqueada, o combo: remédios, álcool e filmes policiais a fez ter alucinações, óbvio.

Até poderia ser, mas o problema é quando ela descobre que a Sra. Russel que estava em casa, não era a mesma mulher que a visitara dias atrás, quem era essa mulher? E porque estava se passando pela verdadeira Jane? Então não era um delírio, a Sra. Russel fora substituída, mas cada nova constatação da Anna fazia os detetives e todos ao seu redor desacreditarem ainda mais dela.

Nem mesmo quando Anna sente que alguém está entrando em sua casa de noite, em uma sequência de arrepiar, ninguém acredita nela, mas ela continua dizendo: Eu sei o que vi.

Durante todo o livro a gente desconfia da sanidade da Anna, será que podemos acreditar nela, será que isso tudo é uma viagem louca comandada por remédios e álcool? Uma coisa eu garanto, faz muito sentido a Anna estar do jeito que ela está, há um segredo sobre a sua vida, que quando desvendado me tirou lágrimas e pude entende-la. Vamos descobrindo sobre ela e seu passado aos poucos, juntando os fragmentos para enfim descobrir a verdade, a dica final é cuidado com a sua janela.

Quem curte os livros policiais com uma pegada mais psicológica, como por exemplo, ‘Garota Exemplar, ‘A garota no trem’ ou até mesmo o filme ‘Paranoia’ com Shia LaBeouf vai curtir esse livro, apesar das personagens principais do ‘A garota no trem’ e o ‘a mulher na janela’, em um primeiro olhar parecerem idênticas devido a bebida e ambas terem visto algo que não deviam, os livros são completamente diferentes, e estas duas características são as únicas que as aproximam.

Anna Fox é uma personagem forte, que sofre com as consequências das ações de seu passado, o livro tem duas reviravoltas bem impactantes, uma delas eu descobri antes da revelação devido a uma pequena pista, depois de ler todos os livros do Harlan a gente fica sempre atento, não é mesmo?! Mas a segunda delas, me pegou muito de surpresa e mesmo com minha teoria na cabeça precisei virar as páginas rapidamente para descobrir se eu estava certa ou se tinha entrado numa espiral de teorias loucas, se prepare para criar as suas teorias e virar as páginas com aflição com esse livro que está sendo sucesso de vendas onde é lançado. Dia 05 de março em todas as livrarias.

#EuSeiOQueVi


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Resenha - A Coroa da Vingança - Colleen Houck


Colleen entrelaça os elementos do Egito e dos deuses, com um cenário moderno,nesta terceira e última aventura da série Deuses do Egito.

Lily e os três deuses egípcios , Amon, Ahmose e Asten, se unem  e atravessam o cosmos para salvar a humanidade. Tudo começou em um museu de Nova York quando  Lily e Amon se conhecem e se apaixonam,em O DESPERTAR DO PRÍNCIPE . Então Lily se tornou uma esfinge e viajou para o submundo para lutar contra a malvada  devoradora, em O CORAÇÃO DA ESFINGE .

Agora em A COROA DA VINGANÇA, após  sobreviver a incrível aventura no submundo, Lily acorda na fazenda de sua avó,sem nenhuma lembrança das jornadas que viveu . Seu príncipe do sol e a  viagem para o Egito, agora são lembranças distantes.

Porém Lily não é a mesma  garota de antes . Seu corpo agora é parte humana, parte leoa e parte fada. E não  suficiente, ela agora precisa usar o poder das três e se tornar Wasret: uma deusa destinada a derrotar  Seth (deus do caos) de uma vez por todas. 
Com a ajuda de Hassan, Lily parte em unicórnios através do cosmos e nas planícies do Egito   para sua viagem nesta aventura final. 

Os personagens que conhecemos e amamos neste série fantástica  - Lily e Amon - estão de volta e tão cheios de personalidade como sempre. Assim como esse elenco maravilhoso de personagens riquíssimos desenhados maravilhosamente bem por Colleen . 
Embora Ahmose apareça nos três livros, você realmente conhece esse homem alto, forte e bonito neste livro. Ahmose é quieto e tende a manter seus pensamentos e emoções para si mesmo . Há muitas cenas e diálogos doces entre Ahmose e Lily e acredito que assim como eu  você vai amá-lo.

Asten é chamado de Sonhador  ele tem poder de entrar nos sonhos dos outros. Pela primeira vez, vamos experimentar os sonhos das  três heroínas em Lily e ver o que realmente desejam através dos olhos de Asten.
Finalmente conhecemos o deus Seth neste livro e descobrimos como ele foi preso durante todos esses séculos. Sua prisão foi escura  e quando ele emerge, ele está pronto para se vingar de uma vez por todas.

O livro têm inúmeras batalhas ,com a presença da já conhecida  Devoradora ,a rainha  dos mortos,que retorna em toda sua fúria com um exército. E  a batalha do unicórnio - Sim, você leu direito. Há uma batalha maravilhosa e os unicórnios se juntam. O que é ainda mais surpreendente do que uma batalha de unicórnio? Uma batalha de unicórnio celestial. 



Senti que cada livro era mais místico e fantástico do que o outro. A série realmente me levou à mitologia egípcia . Não há escassez de detalhes neste livro,assim como em toda a  série, da configuração para os personagens, é tão fácil sentir como se você fosse parte da história.

 A série apresenta uma linguagem simples e deliciosa, onde você vai devorando as páginas e não percebe. Este livro reúne todos os elementos de uma deliciosa aventura, com um inesgotável talento de Colleen para uma narrativa com ritmo eletrizante, senso de humor e raízes mitológicas.

A COROA DA VINGANÇA foi meu favorito dos três. Houve tantos acontecimentos neste livro e foi tão fácil se perder no enredo e simplesmente aproveitar a história. 
Esta é uma excelente continuação e conclusão das duas primeiras histórias, portanto,sugiro que leiam os anteriores .

Espero que aproveitem a conclusão desta série egípcia maravilhosa e ame tanto quanto eu.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Resenha - Sonhos Em Flor - - Estelle Laure




Se você estivesse em coma, onde você estaria? Existe um lugar entre a vida e a morte? Perguntas irrespondíveis ? Não para Eden Jones de 17 anos .






" O amor não é ciência. Tem toda uma mágica envolvida ..."

Sonhos em Flor é uma história contemporânea, de uma menina de 17 anos, Eden,que sempre deixou sua cabeça liderar o seu caminho. É por isso que ela se destaca no balé, na escola e na vida em geral. Mas quando ela quase se afoga  em um acidente terrível  e acaba em coma  tudo fica diferente. Quando Eden acorda, ela tentar se lembrar como viver sua velha vida, além de tentar descobrir quem ela quer ser agora. 

Eden escorregou, bateu a cabeça e mergulhou no rio gelado .No coma que se segue, ela é abordada por uma garota estranha cujas mensagens urgentes é incapaz de ouvir.Quando Eden acorda no hospital, ela percebe que a garota que viu quando estava inconsciente é a mesma garota que ainda está em coma na mesma enfermaria do hospital que ela.

Quando  Eden não consegue se conectar com sua família e amigos, surge um relacionamento improvável com Joe, um menino que vem ao hospital para visitar Jasmine(Jaz), sua amiga que esta em coma e que pode logo dormir para sempre.Jaz não pode falar, mas pode se comunicar com o Eden, como resultado, isso constitui um vínculo com Joe .Sim  Eden e o Joe estão apaixonados, mas nunca é a prioridade na história, em vez disso é sobre Joe concentrando-se na recuperação de sua amiga Jaz e  Eden se concentrando na sua própria recuperação.

Eden é uma personagem super interessante .O livro está escrito em formato semelhante a um diário, e você vê notas e trechos do médico sobre as experiências de quase-morte .Ela é espirituosa e, apesar de tudo que acontecer com ela, ela não deixa a crise se tornar esmagadora. Há algumas lágrimas, claro, mas seu coma não altera o seu objetivo de vida ,isso apenas coloca as coisas em perspectiva.

Uma das razões pelas quais eu gostei desse livro foi porque Eden foi retratado como um personagem muito realista em toda a história.Outra grande coisa sobre o livro foi que se concentrou bastante na recuperação, vemos como ela cresceu na pessoa que ela já foi, apesar de seus momentos de frustração - como quando ela tem que aprender a andar novamente, ou durante suas sessões de terapia, este livro mostra o processo de recuperação lindamente.

Adorei também o forte senso de família no livro ,apesar de algumas brigas,que no meu ponto de vista é bem normal em famílias , Eden e seu irmão gêmeo Digby são bastante próximos  e ele  sempre está lá ao lado dela . Seus pais também são solidários e amorosos e é bom ver a presença deles ao lado dos filhos .


"Eu nunca tinha percebido como as coisas podem ser assustadoras,empolgantes e possíveis...Quanto existe numa escolha. "

Estelle Laure trás uma personagem realista e mostra o trauma  que uma pessoa passa após  uma experiência próxima da morte , e ela faz isso bem,ancorando os leitores na  jornada existencial.


Sonhos Em Flor é uma leitura rápida e agradável para aqueles  que amam os livros de John Green. Estelle Laure narra uma história maravilhosa ,perfeita recomendada .










segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Resenha: Geekrela - Ashley Poston

Uma releitura de um dos contos de fadas mais adorados de todos os tempos, em Geekerela além de uma madastra e irmãs megeras temos também um seriado, fandom, um remake hollywoodiano e claro, uma abóbora mágica.

Cinderela é um dos meus contos de fadas favoritos, então sempre tento ver tudo que é inspirado nele, mas nem sempre acertam na mão, né? Ás vezes fica muito previsível, outras mudam totalmente a história que nem dá pra dizer que é realmente uma adaptação. Em Geekrela tudo se encaixa, Ashely Poston teve a brilhante ideia de criar um universo chamado Starfield que entrelaça os personagens.

Elle Wittimer é uma super nerd, que desde a infância por influência de seu pai, ama um seriado chamado Starfield, ela tem inclusive um blog para comentar os episódios. O seriado acabou já faz um bom tempo e eis que Hollywood decide fazer um remake e para o papel principal, o herói Carmindor, é escolhido ninguém menos que Darien Freeman, o mais novo galã entre o público adolescente, um daqueles atores que segundo Elle não perde a oportunidade de mostrar o corpo sarado e fazer as menininhas irem ao delírio. Para ela isso era um pesadelo, já que ela não queria que estragassem o seriado tão importante em sua vida. Ela então não hesita em fazer uma crítica contundente em seu blog quanto a escolha de Darrien.

Darrien assim como Elle acredita que ele não é o certo para o papel, ele sempre foi nerd e ama o seriado, logo não quer desonrar a sua história e nem os fãs, mas em sua vida tudo estava acontecendo muito rápido e ele não poderia recusar um papel, já que este é um daqueles papeis que mudam a vida de um ator para sempre, o mínimo que ele pode fazer então é dar o seu melhor.

Além de ser super fã de Starfield e blogueira, Elle também é encarregada dos trabalhos domésticos dentro de casa, sua madrasta e suas filhas são aquele clichê de tudo que é baseado no conto de fadas, Elle trabalha também em um food-truck de comida vegana, o ‘abóbora-mágica’ para juntar dinheiro e fugir de sua madastra.

Quando Elle descobre que na próxima convenção de Starfield irá acontecer um concurso de cosplay e o prêmio é muito interessante, ela decide que fará tudo que for possível para ganhar. Por outro lado, Darrien quer fazer de tudo para não aparecer nesta convenção, ele estava recebendo muitas críticas e não queria ser massacrado e quando ele descobre o telefone de um dos organizadores da convenção, ele não hesita em mandar uma mensagem.

Só que o destino conspira e a blogueira e o ator começam uma troca de mensagens, nas quais aos poucos vão se identificando sem saber a identidade de quem está do outro lado. Será que Darrien irá conseguir ficar no papel? Será que Elle irá ganhar o concurso? E o que irá acontecer quando descobrirem com quem estão se correspondendo?

Enquanto vamos nos divertindo a cada novo capítulo, ora narrado por Elle, ora por Darrien, vamos também conhecendo mais sobre o universo de Starfield e o seu herói destemido, o Carmindor. Ashley Poston conseguiu honrar muito bem o universo nerd, um seriado ou um filme não são simplesmente um seriado e um filme, tem muito mais ali, as vezes podem ser o que faz a vida de um fã melhor, a sua válvula de escape ou aquilo que dá forças para acreditar num futuro melhor, tá, tem também a parte da diversão e tal, mas inclusão, alteridade, acreditar em si mesmo e em seus próprios sonhos, são características de Starfield e de muitas outras muitas séries ou filmes ou livros, que nos ajudam a viver melhor essa vida e a pensar mais sobre as pessoas que estão ao nosso redor. Junta tudo isso e a inspiração no conto de fadas e temos a Geekrela.

Sério, alguém poderia produzir Starfield eu curti muito e acho que daria super certo, alô Hollywood! Tem muitas referências ao longo do livro, desde claro ao conto de fadas da Cinderela a Senhor dos Anéis, foi muito legal mostrar a experiência de um nerd numa convenção, todo mundo que curte esse universo nerd deve ir em uma convenção pelo menos uma vez na vida, é uma experiência única, a mensagem principal é sobre os sonhos, a gente nunca deve deixar de acreditar neles, por fim: Apontar para as estrelas. Mirar. Disparar.



“Conforme a Nebulosa Negra engolia os mundos um a um, envolvendo-os em escuridão, muitas histórias foram contadas sobre uma pequena fagulha de luz que brilhava mais que uma estrela, reacendendo as esperanças quando tudo parecia perdido. Esta é a história da nave estrela Prospero e seu último voo.” (Monólogo final, Starfield, episódio 54). 

domingo, 21 de janeiro de 2018

Resenha: Nossa Música - Dani Atkins

Li esse livro numa velocidade incrível, simplesmente porque eu precisava saber, precisava ver que ia ficar tudo bem. Dani Atkins tem o dom de criar personagens que nos identificamos tanto que parece que somos nós lá na história, que é nossa vida ou a vida do nosso amor está em jogo.

Vida, é sobre ela que é esse livro, sobre como ela pode ser efêmera, como não a controlamos, como todas nossas escolhas erradas um dia sempre voltarão como fantasmas pra nos assombrar ou pra colocar tudo em ordem. Quando terminei a leitura, precisei ficar uns 5 minutos olhando pro teto pra assimilar tudo, me peguei pensando: ‘foi triste ou feliz? Feliz para quem?’ E é por isso que amo os livros da Dani, eles são fora da curva dos romances, sempre têm jogo entre passado e presente, nos ambientando com tudo e quando estamos muito envolvidos ela vai lá e estraçalha nosso coração, nos fazendo pensar em todas as escolhas de nossas vidas reais.

E se? Quem nunca parou num momento de sua vida e pensou: ‘e,se?’ E se eu tivesse feito alguma coisa diferente naquele dia? E se eu tivesse dito sim pra alguém do passado? E se naquele instante eu tivesse olhado pro outro lado? Não dá pra voltar no passado e fazer tudo diferente, mas há quem diga que somos quem somos hoje devido as decisões que tomamos no passado, então é muito provável que se a gente tivesse escolhido outra direção a gente também pensaria o que teria acontecido caso o contrário, esse é o paradoxo da própria vida, não é mesmo?

E é como o ‘e, se’ que  começamos a história, Joe Taylor é um daqueles homens que sempre faz de tudo para ajudar o próximo e quando no percurso pra casa, depois de mais um dia de trabalho, é cercado por crianças desesperadas, ele não hesita em ajuda-las. O fato é que as tais crianças eram 3 irmãos, um deles caiu dentro de um lado congelado para resgatar o seu cachorro e os outros dois foram atrás de socorro,  quando Jake está atravessando o lago com um gelo um tanto quanto fino, prendemos nossa respiração até que fica tudo escuro.

Longe dali, conhecemos outro homem, muito diferente do primeiro.  David Williams está em busca do presente de Natal perfeito para sua esposa. Ele vem sentido algumas dores nos últimos tempos, mas acredita que seja apenas mais uma gripe qualquer, até que no meio de uma loja de joias tudo também fica escuro.

E quando, tanto Joe Taylor quanto David Williams são levados para o mesmo hospital conseguimos entender a relação entre eles: suas esposas.

Ally Williams é uma musicista que conheceu e se relacionou com David durante a faculdade, mas as coisas entre ambos ficaram complicadas, classes sociais diferentes, muito orgulho de ambos e uma pessoa chamada Charlotte fizeram com que as coisas não acontecessem da forma que eles queriam. Charlotte Williams era amiga de Ally e morava na mesma casa de David durante a faculdade, ela da mesma classe social dele, podia comprar tudo que queria, menos o amor.

A cada novo capítulo, vamos conhecendo mais sobre as relações: Ally e David, Ally e Joe, Ally e Charlotte e Charlotte e David, o que podemos constatar é que em todas as relações têm muito amor envolvido, é muito fácil para quem está lendo escolher uma heroína e uma vilã para a história, mas conforme vamos conhecendo mais os personagens a dicotomia entre bem e o mal deixa de fazer sentido. Nesse meio tempo enquanto vijamos para o passado tanto da Ally quanto da Charlotte e junto com elas se apaixonando pelo Joe e pelo David, ficamos aflitas porque não sabemos se no final da noite ambos estarão vivos.

O que é um final feliz? Você abriria mão do seu final feliz em prol do final feliz da pessoa que você ama? Você conseguiria perdoar quem partiu seu coração? Estas e muitas outras questões são postas em jogo pela Dani Atkins e o que fica claro é que a gente tem que construir o nosso final feliz todo dia, não é dinheiro, não são as coisas que podemos comprar ou os lugares que podemos acessar, mas sim o amor em todos os níveis que faz com que a vida tenha sentido.



“Você pensa que tem o controle de sua vida, acredita que é você quem toma todas as decisões, e então algo assim acontece e você se dá conta que é apenas uma minúscula peça em um jogo de xadrez, sendo movida de um lado para o outro ao capricho de alguma coisa ou alguém muito maior.” 

domingo, 14 de janeiro de 2018

Resenha: O Voo da Vespa - Ken Follett

Segunda Guerra Mundial. Inglaterra, Dinamarca e Alemanha, Ken Follett nos presenteia com uma história baseada em fatos reais, na qual nos mostra uma guerra longe do front, mas que teve tanta importância quanto qualquer batalha.

Quando se trata de Segunda Guerra Mundial, pensamos logo em nazismo, eixo, aliados, campos de concentração e todas as outras atrocidades ocorridas durante esse período sombrio. Follett em ‘O voo da vespa’, nos transporta para a Dinamarca, uma Dinamarca que acabou de ser dominada pelos nazistas, mas pode-se dizer que ocorreu um domínio ‘frouxo’, já que o Rei dinamarquês fez um acordo com os alemães, mas para a população servia a regra do restante da Europa dominada: Deus no céu e alemães na Terra, qualquer deslize, mesmo que a pessoa não fosse de fato culpada, poderia acarretar consequências severas, piores até mesmo que a própria morte, valia a regra de que todo mundo é culpado, até que se prove o contrário.

O livro tem exatamente 413 páginas e preciso dizer que nas 100 primeiras é um pouco cansativo, são muitos personagens a serem apresentados e vários contextos a serem elaborados para que o leitor possa se localizar, minha dica é: leia atentamente esse início, e não desista da leitura, depois que nos ambientamos com tudo e todo mundo, a história fica eletrizante.

Hermia Mount é uma inglesa, analista do M16, o serviço de inteligência-espionagem da Inglaterra, morou durante toda sua vida na Dinamarca, por isso tinha vários conhecidos e contatos, inclusive o seu noivo era dinamarquês, quando os nazistas dominaram o território da Dinamarca, ela foi para a Inglaterra e de lá criou os ‘Vigilantes Noturnos’, um grupo de dinamarqueses que iniciaram a resistência contra o domínio alemão, eles se uniram formando uma rede de espionagem para levar à Inglaterra qualquer informação útil para deter o avanço nazista.

Em mensagens interceptadas, os ingleses descobrem que os alemães utilizam o nome ‘Freya’ (deusa nórdica do amor) para nomear a sua mais nova tecnologia, e pode ser isto que está fazendo com que os alemães tenham mais vitórias nos combates aéreos, tudo indica que a ‘Freya’ está na nova base militar construída na Dinamarca. Hermia começa então a traçar uma estratégia para fazer com que os Vigilantes Noturnos possam ter acesso a base militar inimiga.

Em solo dinamarquês, conhecemos alguns personagens importantes, são eles: Arne Olufsen, piloto da força aérea dinamarquesa, marcado sempre pelo bom humor, é também o noivo da Hermia; Harald Olufsen, irmão mais novo de Arne está no último ano da escola, tem um conhecimento incrível de mecânica, seu sonho é ser físico, na escola junto de seus melhores amigos, são apelidados de ‘os três patetas’, Arne odeia que a Dinamarca tenha aceitado sem lutar o domínio alemão. Ambos tiveram em casa uma educação rigorosa, seu pai pastor ditava regras-ordens bem rigorosas, em um primeiro momento nem Arne nem Harald participam da resistência, mal sabiam eles que suas vidas iriam mudar para sempre em pouco tempo; Poul Kirke, por outro lado, era o líder da resistência, também era piloto e melhor amigo de Arne, mas era o espião mais importante de toda a rede e por fim temos a figura de Peter Flemming, um detetive dinamarquês, que viu nos alemães a sua oportunidade de crescimento profissional, ele faria qualquer coisa para desfazer a rede de espionagem clandestina, ordem e dever para ele são preto no branco, não há meio termo, não há tons de cinza.

Voltando a Inglaterra, conhecemos Digby um espião renomado, que em uma reunião com ninguém menos que Winston Churchill, este o relata que caso não consigam nenhuma informação quanto a base militar na Dinamarca, as chances da Inglaterra ganhar são quase inexistentes.  Digby com Hermia colocam todas as suas forças em prol dos Vigilantes Noturnos.

Mas quando Peter Flemming descobre um dos meios pelos quais as informações saíam da Dinamarca e começa a investigar chegando cada vez mais perto das figuras vitais da rede, tudo começa a ficar muito perigoso e obscuro.

Para a resistência, desistir não é uma opção, nem que seja até a morte eles continuam lutando até que consigam realizar a missão a qual foram incumbidos, os nossos heróis são os personagens mais improváveis, a cada novo capítulo temos uma nova reviravolta, continuamos torcendo para que dê tudo certo, mesmo que a última esperança fique nas mãos das pessoas mais inexperientes, que num voo improvável sobre o Mar do Norte carregam tudo aquilo que poderia dar novas possibilidades para a luta contra o nazismo.


Apesar de toda a carga histórica que um livro baseados em fatos reais tem, Ken Follett consegue dosar os momentos, temos também espaço para alguns romances, alguns momentos descontraídos e muitos momentos de reflexão, como por exemplo, quando é colocado em questão a pergunta: você faria o seu dever, mesmo sabendo que estava errado? É muito presente durante todo o livro a brutalidade da guerra, mesmo não sendo ambientado no front, ficamos o tempo todo imaginando como é complicado perder o direito de ir e vir no seu próprio país e não saber se irá sobreviver ao próximo dia, só por ser judeu. Este foi o meu primeiro livro do Follett, sempre fiquei receosa por seus livros serem gigantes, mas após esta leitura fiquei com muita vontade de ler mais, porque vale muito a pena encarar suas muitas páginas para encontrar histórias que fazem aquilo que todo livro deveria fazer: mudam a gente.


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Resenha - A Irmã Da Pérola - Lucinda Riley



As Sete Irmãs - Livro 4 - A História de Ceci 

No quarto da série de sete irmãs de Riley, mais uma das filhas de D'Aplièse descobre sua verdadeira herança.
Do Rio de Janeiro  da década de 1920 a Paris até a beleza gelada de Oslo e agora o calor vermelho e empoeirado da Austrália central, todos os cantos do mundo tornaram-se uma nova e emocionante aventura com a narrativa Lucinda Riley. 


Cada filha foi adotada ainda bebê por um bilionário suíço, conhecido como Pa Salt, (Os leitores da série lembrarão que Pa Salt, um magnata do transporte, que adotou sete meninas , nomeando-as com os nomes das estrelas na constelação de Pleiades.) e cada uma está agora em busca de sua verdadeira história familiar  seguindo pistas  que foram deixadas após a  morte misteriosa de Pa.

Em A Irmã Da Pérola o quarto livro da  série Sete Irmãs, lançado pela Editora Arqueiro ,conhecemos a verdadeira história de Ceci D'Aplièse, a irmã espinhosa , vulnerável e complexa .Depois que sua irmã Estrela se encontra, Celeno, também conhecida como Ceci cuja carreira de pintora se estancou, é livre para seguir a trajetória deixada  por seu pai adotivo, Pa Salt. Ceci é instruída a pesquisar a história de Kitty Mercer.

Ceci sempre sentiu-se uma intrusa em sua família ,com suas irmãs carismáticas e talentosas. Sua dislexia detém algumas áreas de sua vida, ela recentemente abandonou a faculdade de arte de Londres, acreditando ser incapaz . E agora Estrela, a irmã com quem ela sempre esteve conectada ,como gêmeas ,encontro uma nova vida em Kent, deixando Ceci completamente sozinha e perdida. Em desespero, ela decide fugir da Inglaterra e descobrir seu passado, mas as únicas pistas que ela possui são uma fotografia  e o nome de Kitty Mercer, uma mulher pioneira que viveu na Austrália há mais de cem anos. No caminho para Sydney, Ceci vai  para o único lugar onde ela se sentiu perto de ser ela mesma ,para as deslumbrantes praias na Tailândia, onde ela conhece um homem misterioso,  tão solitário quanto ela ,e cheio de segredos .

Depois de um interlúdio romântico com O bilionário excêntrico ,Ceci chega na Austrália, onde pistas adicionais a levam à cidade de Alice Springs e ao deserto circundante, Never. A história de Ceci se intercala com a de Kitty, começando em 1906. A história emaranhada de Kitty e suas conexões nos levam as origens de Ceci ,se desenrolando em um ritmo pausado, com muita sabedoria sobre a pesca de pérolas, a cultura aborígene e corridas australianas.

Ceci sente instintivamente que essa terra é de alguma forma parte dela. Sua alma responde à energia de Alice Springs e à antiga cultura dos aborígenes, e sua criatividade artística começa a florescer de novo. Enquanto ela explora o passado com a ajuda de pessoas incríveis que ela conhece ao longo do caminho, Ceci começa a acreditar que esse continente vasto, doloroso e extraordinário, poderia lhe oferecer algo que ela nunca pensou ser possível, um sentimento de raiz, um lugar ,um lar ,sua casa.

Riley  entrelaça as histórias de duas mulheres que procuram consolo, inspiração e satisfação em um mundo tão diferente  daquele  em que foram criadas. O destino de Kitty na indústria de pérolas resistente mas lucrativa durante os dias pioneiros do início do século XX, e a luta dolorosa de Ceci para chegar a um acordo com seu passado, presente e futuro, são retratadas com todo o poder, beleza e inteligência emocional na escrita elegante ​​de Riley.

Até agora Ceci foi para mim a irmã mais complexa,quando a conhecemos, ela era muito frágil e deixou Londres com o objetivo de chegar à Austrália para descobrir suas origens .Ao longo do livro a vemos crescer como uma jovem independente e aceitar quem ela como pessoa e como artista.A história de Ceci foi profundamente satisfatória e foi gratificante ler como ela tentou se transformar não desistiu de ir atrás da sua  cura interior.

Superar a adversidade, tanto no presente como no passado, é um tema forte neste livro, assim como a força dos personagens femininos.


 E agora só nos resta aguarda os três livros retantes  para concluir essa série brilhante - e o mistério fascinante da morte de Pa Salt e a sétima irmã D'Aplièse  sempre inexplicável, a aventura continua, com certeza por mais lugares incríveis que certamente Lucinda nos levará .

O peso da expectativa cresce com cada livro desta série, mas nenhuma vez Lucinda deixou a desejar .

A irmã da pérola é um livro bonito, que vai te cativar a partir da primeira página.