segunda-feira, 9 de abril de 2018

Resenha: Um Sedutor Sem Coração / Lisa Kleypas


Primeiro livro da nova série da Lisa Kleypas, tem tudo que um romance de época deve ter: nos faz suspirar por um libertino, torcer para um final feliz e acreditar no amor.

Essa nova série será sobre os Ravenels, uma família desajustada, tem fama de serem muito impulsivos, não ligarem para nada e terem um temperamento muito difícil de lidar. Devon Ravenel estava muito bem, vivendo sua vida de libertinagem sem muitos estresses e sem responsabilidades com as quais se preocupar, até que com a morte de um primo distante ele se vê como o único herdeiro de um condado.

Além do título de conde, ele também herdou uma propriedade em Hampshire, terras em Norfolk e uma casa em Londres, não seria ruim possuir terras, o problema era que a propriedade estava caindo aos pedaços e com dívidas enormes, as terras que estavam arredadas também precisavam de várias obras e reparos, o primeiro pensamento de Devon foi vender tudo, ficar apenas com o título e não ter mais problemas em sua vida, isto que foi amplamente apoiado pelo seu irmão, West, tão libertino quanto ele, mas que tinha a bebida como sua principal companhia, mas o que Devon não sabia era que mudaria seu pensamento e faria de tudo para que as terras voltassem a ser produtivas e honrar o título.

Para aumentar os seus problemas, o tal primo também havia deixado três irmãs e uma viúva. E desde o primeiro momento em que se conhecem, Kathleen, a viúva, além de ser jovem, recatada e bela, tinha fortes opiniões e batia de frente com Devon em diversos momentos, ela tem um segredo e se culpava pela trágica morte do marido, apenas três dias após o casamento.

O que a gente pode perceber rapidamente são as faíscas que saem quando Kathleen e Devon estão juntos, descobrimos antes deles mesmo que eles estão apaixonados e o maior desafio vai ser eles entenderem e aceitarem o que sentem.

O alívio cômico do livro fica por conta das três irmãs Ravenels, com exceção de Helen, a irmã mais velha que possuía o decoro e refinamento esperados por quem faz parte da nobreza, as gêmeas Pandora e Cassandra quebram todas as regras possíveis, fazendo com que durante todo livro a gente dê várias risadas com suas aventuras e fiquemos também ansiosos pelos seus livros e como irão se apaixonar, dentre algumas de suas aventuras estão: adotar um porco como animal de estimação e escrever o nome dos convidados para o jantar com hieróglifos egípcios causando uma enorme confusão.

Após um susto com risco de vida para Devon, ele percebe que não pode mais esconder de si mesmo o que sente por Kathleen, não se importando os ritos necessários de luto, ela por outro lado se sentia cada vez mais culpada pelo que sentia por ele, nunca havia sentido algo parecido por Theo, seu marido. Enquanto eles tentam ter certeza de seus sentimentos, muitas cenas calientes nos mostram que eles foram feitos um para o outro.

Um diferencial deste livro é o contexto histórico, se tem o início da Revolução Industrial, com máquinas chegando aos campos, migrações para as cidades e uma certa decadência da nobreza que não se adaptou a esses avanços, quando Devon decide ficar com a propriedade e começa a tentar resolver todos os problemas dela, com a ajuda de seu irmão West, eles fazem acordos com donos de ferrovias, fazem compras de maquinários para facilitar a vida dos arrendatários mostrando que a vida no campo está mudando, bem como na capital com, por exemplo, uma loja de departamentos dos sonhos de um dos amigos dos irmãos, Rhys Winterborne, personagem este que provavelmente estará nos próximos livros da série, já que é um dos interesses amorosos de uma das irmãs.

Lisa Kleypas mostra que o amor pode surgir nos ambientes e das formas que a gente menos espera, que até mesmo um sedutor aparentemente sem coração pode descobrir que tem mais amor para dar do que poderia imaginar.



“Conheço muitos fatos científicos sobre o coração humano, e um deles é que é muito mais fácil fazer um coração parar de bater em definitivo do que evitar amar a pessoa errada.”

quinta-feira, 29 de março de 2018

Resenha: Operação Red Sparrow / Jason Matthews


Em 'Operação Red Sparrow' nós mergulhamos em um ambiente de espionagem extrema. Rússia contra Estados Unidos, relembrando a época da Guerra Fria e mostrando que uma guerra pode ser travada muito distante de um front.

Nathaniel Nash, Nate para os íntimos, é um jovem agente da CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) que tem como principal missão operar o informante mais valioso dos EUA, com o codinome ‘Marble’, o informante realizava encontros clandestinos com seus operadores para repassar aos americanos os últimos avanços da Rússia.

Dominika Egorova foi uma criança prodígio e tinha um grande amor, criado através de doutrinação escolar, pela sua pátria Rússia, ainda que seus pais fossem contra o governo, ela seguia firme apoiando o mesmo. Dominika tem um dom, ela consegue atribuir cores aos sons, dessa forma é muito difícil mentir para ela e esconder sentimentos, ela consegue praticamente ‘ler’ a mente daqueles com os quais ela conversa ou apenas observa. Foi esse dom que fez com que desde jovem ela conseguisse atingir os maiores níveis de aprovação no balé, pois na dança ela seguia as cores conforme a música mandava. Tudo vai por água abaixo quando após sofrer um acidente, Dominika fica impossibilitada de continuar na elite do balé e com a morte de seu pai, o único caminho que lhe restou foi ajudar o seu tio Vanya, um espião russo, em uma missão.

Dominika vai se envolvendo cada vez mais nas operações russas, e acaba se tornando guardiã de segredos que fariam a imagem de seu tio e da própria Rússia ir ao fundo do poço caso fossem divulgados. Dessa forma, Vanya coloca Dominika em uma espécie de Academia de Espionagem na qual ela se forma com mérito e posteriormente na escola de Pardais, local em que mulheres e homens russos aprendem todas as formas de seduzir homens e mulheres e retirar segredos dos mesmos. Até que uma importante missão é concedida a Dominika: seduzir o espião americano Nathaniel Nash e descobrir quem é o informante do mesmo.

Enquanto isso, Nate depois de uma operação mal sucedida é colocado na geladeira em Helsinque fazendo trabalhos burocráticos e tentando conseguir novos informantes. E é nesta mesma capital finlandesa que os caminhos de Nate e Dominika se cruzam, ele tentando fazer dela uma informante e ela tentando extrair segredos dele.

Aos poucos vamos descobrindo que os métodos russos não são nem um pouco amigáveis e após o desaparecimento da melhor amiga de Dominika, ela decide virar o jogo e se juntar aos americanos, se tornando uma agente dupla. E quando o fluxo de informações começa a chegar nos Estados Unidos fica claro que há alguém em terras americanas enviando informações aos russos. Na Rússia se tem o questionamento: ‘Quem é o espião russo que trabalha para os EUA?’ E na América: ‘Quem é o civil que vaza informações confidenciais para a Rússia?’

O leitor sabe de todas as respostas e ficamos a cada novo capítulo quase experts em espionagem e contraespionagem, você sabia que toda boa espionagem tem a sua própria contraespionagem? Que funciona da seguinte forma: agentes do seu mesmo time fazem aquilo que seria feito pelo time adversário e consequentemente acabam descobrindo se há espionagem de fato do adversário, cabe a um espião realmente bom escapar de todas essas pessoas para assim ficar ‘no escuro’ e poder captar as informações dos informantes em segurança.

Assumo que me interessei pela leitura deste livro após ver o trailer do filme, descobri só depois que o mesmo já havia sido publicado pela Editora Arqueiro com o título ‘Roleta Russa’ e preciso dizer que o título anterior fazia mais sentido. Tanto a capa nova do livro, quanto a própria divulgação do filme nos leva a crer que esta é uma história de uma espiã russa e não é bem assim, apesar de termos a Dominika ela não é o padrão de espiã russa que conhecemos de filmes e livros anteriores, ela fora praticamente jogada nessa posição. O livro é muito mais sobre espionagem e contraespionagem do que apenas sobre uma espiã.

Não há apenas uma operação, são tantas ao longo do livro que até perdi a conta e não há nenhuma operação chamada ‘Red Sparrow’ (Pardal Vermelho), são exatamente 423 páginas muito densas, tem termos técnicos, muitos personagens e algumas palavras em russo. Por fim, o livro foi escrito por um ex-agente da CIA, devido a isso achei um pouco tendencioso, como se os EUA fossem os salvadores. Dominika, por exemplo, só sente conforto nas palavras ditas pelos americanos, enquanto a grande maioria dos russos é caracterizada como rude e cruel outro fato interessante é que apenas o Putin de figura da vida real é citado, nenhuma personalidade americana verídica é citada. Por ser um livro de ficção, acho que o escritor não deveria ter citado personalidades reais de ambos os lados.

É um livro bem interessante para se visualizar como se realizam as operações de espionagem, pelo fato do escritor se um ex-agente, ficamos sempre nos perguntando o quê de todas essas páginas pode ter de fato acontecido, em tempos que um ex-espião russo foi morto em solo inglês com um veneno escondido em um presente que deram a filha do mesmo após uma viagem a Rússia, não é difícil pensar que ainda há muita espionagem acontecendo constantemente o no mundo real.




Trailer do filme:



quinta-feira, 15 de março de 2018

Resenha: Quando Ela Se Foi / Harlan Coben


No livro nove da série, Myron Bolitar coloca sua vida em risco enfrentando a polícia, serviço secreto e até mesmo terroristas para ajudar alguém muito especial, que já o ajudara no passado, Terese Collins.

Preciso deixar o alerta: Este é o livro 9 da série, pode ser lido individualmente porque a história tem início/meio/fim, mas indico a leitura na ordem, fará muito mais sentido e será bem mais interessante já conhecendo os personagens.

Para que leu a série na ordem, Terese não é uma personagem nova, em ‘Detalhe Final’ ela e Myron ambos passando por dificuldades em suas vidas pessoais fugiram para uma ilha paradisíaca no Caribe a fim de obter uma válvula de escape. Em ‘O medo mais profundo’, Terese novamente tem uma participação muito relevante ajudando o Myron a salvar seu filho, Jeremy. Depois que ela o ajuda, a ex-apresentadora da CNN some no mundo.

Quem conhece o Myron sabe que ele possui certo complexo de herói, não consegue ficar sem fazer nada se souber que tem alguém em perigo e não consegue simplesmente ‘deixar pra lá’ sem descobrir a verdade, depois que entra em alguma investigação.

No momento em que ele recebe uma ligação enigmática da Terese, na qual ela disse apenas: ‘Venha para Paris’, Myron não hesitou em ir ao seu encontro, já que no passado ela o ajudara muito. Chegando lá, ele descobre que o ex-marido de Terese, Rick Collins havia sido assassinado, no dia em que marcara um encontro com Terese para lhe contar algo que mudaria a vida dela.

E rapidamente surgem as perguntas: O que Rick queria contar a Terese? Quem matou Rick? E por que?

Myron com a ajuda fundamental de Win e Esperanza vai se envolvendo na investigação e descobre que fios de cabelo de uma moça loura foram encontrados na cena do crime do Rick, fios de cabelos estes que após exame de DNA só podem ser de uma filha de Rick e Terese, o problema é que a única filha que eles tiveram juntos morreu em um acidente de carro dez anos antes e neste momento junto com Myron ficamos pensando: O que tá acontecendo? Será que a filha de Terese está viva? O que realmente aconteceu no acidente?

Quando Myron é cercado em uma cafeteria, ele acaba se envolvendo em uma investigação internacional contra o terrorismo, se tornando alvo de ambos os lados e colocando sua vida em risco como nunca antes, dessa vez nem mesmo Win será capaz de salvar a sua pele.

Esse livro é um dos poucos em que Myron não se envolve em um crime, investigação ou busca por alguém desaparecido devido a um de seus clientes do MB representações, e se envolve em uma trama internacional, quanto a vida pessoal, Myron está namorando com Ali Wilder, mas é um relacionamento que parece que ele está mais envolvido que ela, Win por outro lado só quer saber de ‘Mee’ enquanto Esperanza, casada e com um filho pequeno tem uma mudança radical em sua vida desde a época da Pequena Pocahontas.

São 250 páginas que passam voando e a única certeza que temos é que cada vez mais queremos ler mais sobre estes personagens. 



“Nossa lógica nunca é linear. O raciocínio avança, recua, bate nas paredes, faz curvas fechadas e se perde em desvios. Qualquer coisa pode ser um elemento catalisador – e geralmente é algo que à primeira vista não tem nada a ver com o assunto em questão, alfo que lança nosso pensamento para uma direção inesperada e fatalmente resulta em uma solução que a lógica linear jamais teria suposto.”

quarta-feira, 7 de março de 2018

Resenha: Tartarugas até lá embaixo / John Green


John Green é aquele tipo de escritor que a cada novo livro já podemos esperar uma coisa: muita reflexão sobre a sua própria vida, conforme a gente vai lendo é impossível não se identificar com os personagens ou situações, desta vez, Green colocou a ansiedade em questão.

Você se considera uma pessoa ansiosa? Fica fazendo planos para algo que vai demorar muito tempo para acontecer? Ou começa a criar situações como muitos ‘se’ na sua cabeça? Junta tudo isso é multiplica por dez, esse é o nível de ansiedade de Aza Holmes. Ela simplesmente não consegue desligar, durante todo o tempo fica se questionando sobre tudo ao seu redor, uma simples ferida no dedo, depois de uma pesquisa no Google pode virar uma doença incurável acarretando até mesmo a morte.

Aza consegue viver relativamente bem com a sua ansiedade, apesar de algumas crises de vez enquanto, ela vai vivendo um dia de cada vez. Sua melhor amiga, Daisy é o oposto dela, super extrovertida, escritora de fanfics, fala sempre o que está pensando e tem um sonho de ficar milionária. E devido a este sonho, ao ver que o pai de um amigo de infância da Aza está desaparecido e a polícia está oferecendo uma recompensa para quem informar o paradeiro do mesmo, Daisy não hesita em arrastar Aza para uma investigação.

E para isso, Aza precisa se reaproximar do seu amigo de infância, o Davis Pickett, não seria nenhum problema se ela não tivesse uma queda pelo Davis. Quando ele percebe que Aza só está se reaproximando devido a recompensa, ele a dá um ultimato e Aza percebe que todo mundo tem problemas, até mesmo o filho de um magnata e com ele, Aza pode descobrir uma nova forma do amor, antes não experimentada por ela.

Mas quando as pistas quanto ao pai de Davis não levam a lugar nenhum, Daisy desiste de tentar entender os problemas pelos quais Aza está passando, cominando em um acidente de carro, fazendo com que Aza entre em uma espiral de pensamentos que a levam ao fundo do poço e somente ela pode dar o primeiro passo para sair dele.

Esse livro me fez refletir muito e a leitura não foi fácil, estar na cabeça da Aza não foi fácil. Quando a gente tem um ferimento visível, todo mundo entende, sente pena por aquela situação pela qual você está passando, mas quando temos uma doença na mente é muito difícil para aqueles que estão ao seu redor entender, alguns dizem até mesmo que é ‘frescura’, para quem diz algo assim, indique a leitura desse livro, tenho certeza que nunca mais dirá o mesmo.

O conceito de ‘espirais’, utilizado pelo John Green é muito genial e pude perceber que todo mundo tem, nem que seja um pouquinho, a aptidão para mergulhar em uma espiral, seja devido a uma prova que você precisa tirar uma boa nota, o resultado de uma entrevista de emprego, um crush, um problema familiar, quem nunca ficou fissurado em algo, até que se realizasse? O Green mostra que: ei, você não é doente por ser assim, todos nós somos um pouco assim, só precisamos saber o nosso limite para cuidar da própria saúde e nos rodear de pessoas e coisas que amamos, distribuir amor sempre é a melhor escolha.



“Em inglês se usa uma expressão estranha ‘in love’, que seria algo como estar ‘imerso no amor’, como se o amor fosse um mar em que mergulhamos, ou uma cidade em que moramos. Não se usa essa expressão para mais nenhum sentimento – não se está em amizade, ou em raiva, ou em esperança. Só é possível estar imerso no amor.”

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Resenha: A mulher na janela / A. J. Finn


Esse é aquele tipo de livro que cada nova página parece uma nova cena de tão bem escrito, um final eletrizante que me fez ficar aflita junto com Anna Fox para descobrir toda a verdade, mesmo que ela não seja nada agradável.

Graças a Editora Arqueiro, já deixo desde já mais uma vez o agradecimento, o blog foi selecionado para ler o livro antes do lançamento, que será mês que vem (março). Compartilhamos com vocês em primeira mão nossa resenha e já vai juntando dinheiro, porque esse vai ser um #mustread para todo #HarlanLover.

Nos primeiros capítulos achei um pouco cansativo, demorei bastante para ler as primeiras cinquenta páginas, porque A. J. Finn precisa nos ambientar e construir todos os personagens, principalmente a principal Anna Fox, ou para quem não tem intimidade Dra. Fox, mas depois que a gente se ambienta o livro fica eletrizante, então fica a dica inicial: não desamine no início, toda a ambientação vai fazer sentido.

Anna Fox possui agorafobia, uma doença que faz com que ela tenha que ficar dentro de casa, em seu ambiente seguro, para ela ir no seu próprio jardim é um desafio, comemorado quando atingido. Ela é fã de filmes policiais antigos, aqueles em preto em branco, como os de Hitchcock, estão entre os seus favoritos. No passado ela fora médica psicanalista especialista em crianças, mas já faz alguns meses que sua casa é seu único refúgio, como hobbie para o tempo vago, além dos filmes, Anna gosta de bisbilhotar a vizinhança, com sua câmera fotográfica ela vai  observando o dia-a-dia dos vizinhos, sabe que de um lado uma esposa trai o marido assim que ele sai, em outra casa tem um adolescente músico que toca muito bem por sinal, uma das vizinhas promove um clube do livro, que Anna inclusive lê os livros que por lá são discutidos, nada muito tóxico, afinal ela só precisava distrair a mente e não fazia mal algum acompanhar de longe a vida dos vizinhos, não é mesmo?

Tudo começa a mudar quando uma nova família, os Russels, se muda para uma casa que fica a uma praça de distância da casa de Anna, ela subitamente desenvolve uma fixação por descobrir mais sobre os recém-chegados, quem são eles? O que fazem? Por que se mudaram? E não é lá muito fácil ter respostas a essas perguntas quando não tem contato físico com as pessoas.

Certo dia quando Anna precisa ir até a porta de casa porque as crianças estavam jogando alguma coisa nela, ela dá de cara com Jane Russel, a tal nova vizinha, que resgata Anna após um escorregão e o mais inusitado é que Anna a convida para entrar e as duas passam a tarde conversando. Anna achou Jane uma mulher incrível, super alto astral, imaginou que poderia ter uma amizade com ela.

Só que algumas coisas estranhas começam a acontecer, que cominam com Anna vendo através de sua câmera Jane ser esfaqueada lá do outro lado do parque. Ela tenta ir até lá, mas perde as forças, entra em crise e é resgatada por uma ambulância no meio do parque. Tudo fica mais estranho quando ao acordar no hospital, Anna descobre que os detetives não encontraram nenhuma mulher esfaqueada, a Sra. Russel estava em casa, passando muito bem de saúde.

Nesse momento preciso contar mais um detalhe sobre Anna, ela tinha um hábito muito ruim de misturar bebida alcoólica com a sua medicação, mas não era uma taça, era uma ou duas ou quem sabe mais, garrafas de vinho. Então, ficamos pensando junto com os detetives que claro, ela estava delirando, ninguém foi esfaqueada, o combo: remédios, álcool e filmes policiais a fez ter alucinações, óbvio.

Até poderia ser, mas o problema é quando ela descobre que a Sra. Russel que estava em casa, não era a mesma mulher que a visitara dias atrás, quem era essa mulher? E porque estava se passando pela verdadeira Jane? Então não era um delírio, a Sra. Russel fora substituída, mas cada nova constatação da Anna fazia os detetives e todos ao seu redor desacreditarem ainda mais dela.

Nem mesmo quando Anna sente que alguém está entrando em sua casa de noite, em uma sequência de arrepiar, ninguém acredita nela, mas ela continua dizendo: Eu sei o que vi.

Durante todo o livro a gente desconfia da sanidade da Anna, será que podemos acreditar nela, será que isso tudo é uma viagem louca comandada por remédios e álcool? Uma coisa eu garanto, faz muito sentido a Anna estar do jeito que ela está, há um segredo sobre a sua vida, que quando desvendado me tirou lágrimas e pude entende-la. Vamos descobrindo sobre ela e seu passado aos poucos, juntando os fragmentos para enfim descobrir a verdade, a dica final é cuidado com a sua janela.

Quem curte os livros policiais com uma pegada mais psicológica, como por exemplo, ‘Garota Exemplar, ‘A garota no trem’ ou até mesmo o filme ‘Paranoia’ com Shia LaBeouf vai curtir esse livro, apesar das personagens principais do ‘A garota no trem’ e o ‘a mulher na janela’, em um primeiro olhar parecerem idênticas devido a bebida e ambas terem visto algo que não deviam, os livros são completamente diferentes, e estas duas características são as únicas que as aproximam.

Anna Fox é uma personagem forte, que sofre com as consequências das ações de seu passado, o livro tem duas reviravoltas bem impactantes, uma delas eu descobri antes da revelação devido a uma pequena pista, depois de ler todos os livros do Harlan a gente fica sempre atento, não é mesmo?! Mas a segunda delas, me pegou muito de surpresa e mesmo com minha teoria na cabeça precisei virar as páginas rapidamente para descobrir se eu estava certa ou se tinha entrado numa espiral de teorias loucas, se prepare para criar as suas teorias e virar as páginas com aflição com esse livro que está sendo sucesso de vendas onde é lançado. Dia 05 de março em todas as livrarias.

#EuSeiOQueVi


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Resenha - A Coroa da Vingança - Colleen Houck


Colleen entrelaça os elementos do Egito e dos deuses, com um cenário moderno,nesta terceira e última aventura da série Deuses do Egito.

Lily e os três deuses egípcios , Amon, Ahmose e Asten, se unem  e atravessam o cosmos para salvar a humanidade. Tudo começou em um museu de Nova York quando  Lily e Amon se conhecem e se apaixonam,em O DESPERTAR DO PRÍNCIPE . Então Lily se tornou uma esfinge e viajou para o submundo para lutar contra a malvada  devoradora, em O CORAÇÃO DA ESFINGE .

Agora em A COROA DA VINGANÇA, após  sobreviver a incrível aventura no submundo, Lily acorda na fazenda de sua avó,sem nenhuma lembrança das jornadas que viveu . Seu príncipe do sol e a  viagem para o Egito, agora são lembranças distantes.

Porém Lily não é a mesma  garota de antes . Seu corpo agora é parte humana, parte leoa e parte fada. E não  suficiente, ela agora precisa usar o poder das três e se tornar Wasret: uma deusa destinada a derrotar  Seth (deus do caos) de uma vez por todas. 
Com a ajuda de Hassan, Lily parte em unicórnios através do cosmos e nas planícies do Egito   para sua viagem nesta aventura final. 

Os personagens que conhecemos e amamos neste série fantástica  - Lily e Amon - estão de volta e tão cheios de personalidade como sempre. Assim como esse elenco maravilhoso de personagens riquíssimos desenhados maravilhosamente bem por Colleen . 
Embora Ahmose apareça nos três livros, você realmente conhece esse homem alto, forte e bonito neste livro. Ahmose é quieto e tende a manter seus pensamentos e emoções para si mesmo . Há muitas cenas e diálogos doces entre Ahmose e Lily e acredito que assim como eu  você vai amá-lo.

Asten é chamado de Sonhador  ele tem poder de entrar nos sonhos dos outros. Pela primeira vez, vamos experimentar os sonhos das  três heroínas em Lily e ver o que realmente desejam através dos olhos de Asten.
Finalmente conhecemos o deus Seth neste livro e descobrimos como ele foi preso durante todos esses séculos. Sua prisão foi escura  e quando ele emerge, ele está pronto para se vingar de uma vez por todas.

O livro têm inúmeras batalhas ,com a presença da já conhecida  Devoradora ,a rainha  dos mortos,que retorna em toda sua fúria com um exército. E  a batalha do unicórnio - Sim, você leu direito. Há uma batalha maravilhosa e os unicórnios se juntam. O que é ainda mais surpreendente do que uma batalha de unicórnio? Uma batalha de unicórnio celestial. 



Senti que cada livro era mais místico e fantástico do que o outro. A série realmente me levou à mitologia egípcia . Não há escassez de detalhes neste livro,assim como em toda a  série, da configuração para os personagens, é tão fácil sentir como se você fosse parte da história.

 A série apresenta uma linguagem simples e deliciosa, onde você vai devorando as páginas e não percebe. Este livro reúne todos os elementos de uma deliciosa aventura, com um inesgotável talento de Colleen para uma narrativa com ritmo eletrizante, senso de humor e raízes mitológicas.

A COROA DA VINGANÇA foi meu favorito dos três. Houve tantos acontecimentos neste livro e foi tão fácil se perder no enredo e simplesmente aproveitar a história. 
Esta é uma excelente continuação e conclusão das duas primeiras histórias, portanto,sugiro que leiam os anteriores .

Espero que aproveitem a conclusão desta série egípcia maravilhosa e ame tanto quanto eu.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Resenha - Sonhos Em Flor - - Estelle Laure




Se você estivesse em coma, onde você estaria? Existe um lugar entre a vida e a morte? Perguntas irrespondíveis ? Não para Eden Jones de 17 anos .






" O amor não é ciência. Tem toda uma mágica envolvida ..."

Sonhos em Flor é uma história contemporânea, de uma menina de 17 anos, Eden,que sempre deixou sua cabeça liderar o seu caminho. É por isso que ela se destaca no balé, na escola e na vida em geral. Mas quando ela quase se afoga  em um acidente terrível  e acaba em coma  tudo fica diferente. Quando Eden acorda, ela tentar se lembrar como viver sua velha vida, além de tentar descobrir quem ela quer ser agora. 

Eden escorregou, bateu a cabeça e mergulhou no rio gelado .No coma que se segue, ela é abordada por uma garota estranha cujas mensagens urgentes é incapaz de ouvir.Quando Eden acorda no hospital, ela percebe que a garota que viu quando estava inconsciente é a mesma garota que ainda está em coma na mesma enfermaria do hospital que ela.

Quando  Eden não consegue se conectar com sua família e amigos, surge um relacionamento improvável com Joe, um menino que vem ao hospital para visitar Jasmine(Jaz), sua amiga que esta em coma e que pode logo dormir para sempre.Jaz não pode falar, mas pode se comunicar com o Eden, como resultado, isso constitui um vínculo com Joe .Sim  Eden e o Joe estão apaixonados, mas nunca é a prioridade na história, em vez disso é sobre Joe concentrando-se na recuperação de sua amiga Jaz e  Eden se concentrando na sua própria recuperação.

Eden é uma personagem super interessante .O livro está escrito em formato semelhante a um diário, e você vê notas e trechos do médico sobre as experiências de quase-morte .Ela é espirituosa e, apesar de tudo que acontecer com ela, ela não deixa a crise se tornar esmagadora. Há algumas lágrimas, claro, mas seu coma não altera o seu objetivo de vida ,isso apenas coloca as coisas em perspectiva.

Uma das razões pelas quais eu gostei desse livro foi porque Eden foi retratado como um personagem muito realista em toda a história.Outra grande coisa sobre o livro foi que se concentrou bastante na recuperação, vemos como ela cresceu na pessoa que ela já foi, apesar de seus momentos de frustração - como quando ela tem que aprender a andar novamente, ou durante suas sessões de terapia, este livro mostra o processo de recuperação lindamente.

Adorei também o forte senso de família no livro ,apesar de algumas brigas,que no meu ponto de vista é bem normal em famílias , Eden e seu irmão gêmeo Digby são bastante próximos  e ele  sempre está lá ao lado dela . Seus pais também são solidários e amorosos e é bom ver a presença deles ao lado dos filhos .


"Eu nunca tinha percebido como as coisas podem ser assustadoras,empolgantes e possíveis...Quanto existe numa escolha. "

Estelle Laure trás uma personagem realista e mostra o trauma  que uma pessoa passa após  uma experiência próxima da morte , e ela faz isso bem,ancorando os leitores na  jornada existencial.


Sonhos Em Flor é uma leitura rápida e agradável para aqueles  que amam os livros de John Green. Estelle Laure narra uma história maravilhosa ,perfeita recomendada .