segunda-feira, 21 de maio de 2018

Resenha: A luz que perdemos / Jill Santopolo


Você faria tudo por amor? E se ir ao encontro do amor fosse abrir mão de seus sonhos individuais? Em meio a muitos encontros e desencontros vamos conhecendo Gabe e Lucy e percebendo ao virar cada página e terminar o livro em meio de lágrimas que felicidade é muito mais complexa que a gente pode imaginar.

Lucy e Gabe faziam faculdade na mesma Universidade, mas foi apenas no dia de um dos acontecimentos mais marcantes da História dos EUA que eles de fato se conheceram no fatídico, 11 de setembro de 2001. E parece que este evento traumático os uniu de alguma forma, enquanto Nova York estava ardendo em chamas eles davam o seu primeiro beijo.

Depois desse dia, ambos fazem uma promessa de que ao se formarem farão alguma diferença no mundo, não terão apenas empregos para ganhar dinheiro, eles vão fazer algo que torne o mundo um lugar melhor.

A paixão que eles sentiam fez com que eles fossem morar juntos durante alguns meses, Lucy se mudou para o apartamento de Gabe, ela havia conseguido um emprego de assistente em uma produtora de desenhos infantis, enquanto ele ainda estava se encontrando. A relação dos dois era fogo puro, mas Lucy não tinha cem por cento de confiança em Gabe, onde ele chegava ele era o centro das atenções, todos e todas queriam ficar ao redor dele e Lucy não queria compartilhar ele com mais ninguém, nesse ponto eu coloquei numa balança, o ciúme de um lado e o ego de outro, como achar o equilíbrio?

O ponto de virada foi quando Gabe recebeu uma proposta de emprego de uma agência internacional de fotografia e decidiu que seria dessa forma que ele cumpriria sua promessa de mudar o mundo, e os dois se despedem, pois Lucy não abriria mão do seu emprego dos sonhos para ir atrás dele.

Após um tempo na fossa, surge na vida de Lucy, um cara chamado Darren. Ele era um pouco mais velho, já estabilizado e se encantou por ela. Os dois saíram diversas vezes, Lucy estava voltando a ficar feliz, ele a fazia rir, mas ele não era Gabe. Darren é sólido, é o tipo de pessoa que ama fazer planos e os coloca sempre em execução, listas são uma de suas coisas favoritas, não poderia ser mais diferente do extrovertido Gabe.

Os anos passam, mas o contato entre Lucy e Gabe continua, sempre quando ele está nos EUA, eles se encontram, trocam e-mails as vezes, sentem que ainda sentem algo um pelo outro, mas a vida segue e Lucy se casa com Darren e começa a construir uma família com ele. Conforme vamos lendo, é impossível não fazer comparações entre os dois, uma passagem do livro faz uma comparação entre o amor e o fogo, Lucy e Gabe, um incêndio, aquela paixão destemida e sem controle, já Lucy e Darren, uma fogueira, aquele fogo perene, mas que é necessário para nos manter quentes, o que é melhor fogueira ou incêndio?

Como valorar um amor? Você sabe dosar se você está se entregando muito a uma relação, enquanto a outra parte não faz o mesmo? Como enxergar se um relacionamento não é saudável? Amor é sinônimo de felicidade? Como diferenciar amor de paixão? Qual ou algum deles dura para sempre? A leitura do livro me fez me colocar no lugar da Lucy e do Gabe em diversas ocasiões, nenhum deles queria abrir mão dos próprios sonhos, mas eles se amavam muito, quando estavam juntos era sempre mágico, mas a vida fez com que os caminhos deles  os levasse para lugares distantes, será que o que sentem vai ser suficiente para lutar contra os propósitos da própria vida?

Não sei vocês, mas pra mim é muito difícil eu ler um livro e não me colocar no lugar dos personagens, qualquer que seja o livro eu sempre vou acabar me identificando com alguma situação, ou entendendo certa escolha, pensando: 'ei, faria o mesmo' e outras vezes, 'eita, não faz isso, vai dar treta'. ‘A luz que perdemos’ mexeu comigo, apesar de imaginar o final desde que comecei a ler, e muito devido a narrativa em primeira pessoa, como se fosse um diário eu chorei no final, porque é muito verossímil, essa vida que pode acabar num estalar de dedos (hello, Thanos, haha) é feita de escolhas, sonhos e amor, será que a gente sempre consegue colocar tudo isso nos trilhos corretos, quais são os trilhos corretos? Será que existem? Mergulhe nessa história e comece a pensar sobre as suas próprias escolhas de uma maneira diferente.


“O amor faz isso. Faz você se sentir invencível e infinito, como se o mundo inteiro estivesse à nossa disposição, tudo pudesse ser conquistado e todo dia fosse repleto de maravilhas. Talvez porque nos abrimos para alguém, nos deixamos penetrar pelo outro. Ou talvez amar seja se doar tão profundamente a outra pessoa que o coração da gente se expande.”

sábado, 12 de maio de 2018

Safe Review



‘Safe’ é a primeira série televisiva do Harlan em parceria com a Netflix, não é baseada em nenhum de seus livros, é a partir de uma ideia totalmente original do Harlan.

Sinopse: Michael C. Hall é Tom Delany, um cirurgião pediátrico britânico, que após a morte de sua esposa, vive com duas filhas adolescentes, Jenny e Carrie. A família está aparentemente segura dentro de uma comunidade fechada, mas quando a filha mais velha, Jenny, vai à uma festa e ocorre um assassinato seguido do desaparecimento dela, suas vidas mudam completamente. 

Idioma: Inglês, com legendas ou dublado na Netflix
Duração: 8 episódios, em média  45min
Onde ver: Buscar 'Safe' na Netflix, todos os episódios já estão disponíveis

No primeiro episódio conhecemos os personagens e descobrimos que a tal comunidade fechada e aparentemente segura não é exatamente tão segura assim. Os problemas começam quando uma festa de adolescentes é organizada em uma das casas do condomínio, com bebidas e drogas liberadas, todo mundo fica mais feliz que o normal e quando vemos um corpo boiando na piscina da casa, começamos a perceber que as consequências dessa festa serão complicadas.

O portão e os muros foram criados após um incêndio criminoso na escola da região, no qual algumas crianças morreram, essas barreiras foram feitas para deixar os monstros do lado de fora, mas e se os monstros foram aprisionados ali dentro?

A tal festa acaba e Tom Delany percebe que sua filha não havia voltado para casa e uma das principais perguntas da série surge: Onde está a Jenny? Tom, com a ajuda de seu velho amigo Pete, começa a fazer perguntas pela região e tenta refazer os passos de Jenny, onde ela esteve? Com quem ela esteve? Tom havia colocado um programa espião para clonar as mensagens da filha para o seu próprio smartphone, dessa forma, uma certeza ele tinha: Jenny havia marcado de se encontrar com o namorado, o Chris.

Enquanto isso, o humor negro da série fica por conta da família do Jojo, lembra da tal festa, quem havia a promovido fora a Sia, filha do Jojo, ela aproveitou que os pais saíram de casa para comemorar o aniversário de casamento, mas quando ela vê o corpo na piscina, pede ajuda aos pais e a partir disso eles entram numa espiral de decisões erradas, o que é melhor fazer se você não tem culpa? Se entregar ou se encrencar de verdade? Mas não sabemos de fato se Sia tem ou não culpa quanto a tal morte. (Não citei de quem é o corpo para não ser spolier).

Tom visita a casa dos pais do Chris, e percebe que eles não estão preocupados, já que o filho é maior de idade e nunca deu nenhum problema, para eles em breve Chris vai aparecer, mas a família do Chris tem maiores problemas para lidar no momento, a mãe dele, Zoe professora de francês foi acusada de ter um caso com um de seus alunos, e o seu marido fica muito revoltado com a situação, será que ela tem algum envolvimento com o desaparecimento da Jenny, ou sabe do paradeiro de Chris?

A investigação fica por conta da velha detetive da cidade Sophie, e a recém-chegada Emma, uma policial que chegou transferida da cidade grande, que levanta suspeitas do motivo pelo qual ela quis ir para essa região e ainda mais quando tira fotos escondida do melhor amigo do Tom, Pete, qual será o envolvimento dela? Será que sabe mais do que está falando?

Muita aflição em alguns episódios e alguns também são muito emocionantes, a verdade é que o Harlan sabe como fazer a gente se identificar com os personagens e também nos enganar quanto aos culpados dos fatos.

E quando a gente já criou mil teorias, começamos a inventar novas no decorrer de cada episódio: tem o marido da Sophie que parece muito suspeito, será que o melhor amigo do Tom está envolvido? Essa Emma, o que ela sabe? Ou será que é tudo muito simples e a Sia apenas está mentindo? E o Tom, será que ele foi culpado pela morte de sua esposa? O que de fato aconteceu na festa? E afinal, onde está a Jenny?

Em um ritmo frenético, uma linda fotografia e um milhão de fios soltos que fazem a gente querer saber mais e entender o que de fato está acontecendo, e quando vemos já estamos no último episódio da temporada.

Para quem já leu os livros do Harlan, tem algumas referências: a amizade do Tom e Pete lembra a do Myron e Win, tem dois episódios que lembram muito o livro ‘A Promessa’ e algumas outras coisas que apenas quem leu os livros  irá identificar, e fazem a série ainda mais legal pros #HarlanLovers.

Não sabemos se haverá uma segunda temporada, a princípio não, todos os fios soltos se conectam, e o final, como sempre se tratando de Harlan Coben, é surpreendente.

“Ninguém conhece ninguém de verdade”

“Nada fica escondido para sempre. A verdade sempre vem a tona”

Elenco:
  • Os melhores amigos

Michael C. Hall é Tom Delaney, o cirurgião pediátrico que vira quase um detetive em busca do paradeiro de sua filha;

Marc Warren é Pete, o melhor amigo de Tom, que o ajuda na busca pela Jenny;

                                          

  • As detetives
Amanda Abbington é Sophie, a detetive que tenta ligar os fios soltos de todos os acontecimentos no condomínio;

Hannah Arterton é Emma, a suspeita detetive transferida;


        
  • Os pais suspeitos

Nigel Lindsay é Jojo, o responsável pelas cenas mais engraçadas de tão loucas, da série;

Audrey Fleurot é Zoe, mãe do Chris e acusada de envolvimento afetivo com adolescentes;

  • A Desaparecida

Amy James-Kelly é Jenny, e se prepare para se perguntar onde ela está.





sábado, 5 de maio de 2018

Resenha: Volta Para Casa - Harlan Coben


O livro mais emocionante de toda a Série. Para quem acompanha o Myron por todos esses anos durante todos os 10 livros anteriores, ‘Volta Para Casa’ tem um clima de despedida, de conclusão de um ciclo, se é o último livro da série, nós não sabemos, só sabemos que foi incrível virar cada uma dessas 299 páginas para mais uma vez ser enganado pelo Harlan e se apaixonar pelo Myron, Win, Esperanza, Big Cindy e pela amizade deles.

Antes de comentar a história do livro propriamente dita, preciso dar um alerta: leia os livros na ordem e leia a série do Mickey também, eu sei que são 13 livros (10 do Myron e 3 do Mickey), mas eu garanto que a experiência lendo ‘Volta Para Casa’ será muito mais incrível se você já conhecer todos esses personagens e entender o porquê de tudo o que eles fazem no livro 11. ‘Ah, mas eu quero ler só esse’, Tudo bem. A trama principal do livro, assim como em todos os livros da série se inicia e termina no livro, mas os fatos para além da história sobre a vida de cada um dos personagens que é o diferencial do livro, se você ler só esse, antes dos outros será um festival de spoliers. Dica dada, vamos voltar para casa!

O livro se inicia com uma bela surpresa, pela primeira vez em todos esses livros, a gente pode entrar na cabeça do Win, o melhor amigo do Myron e quem sempre o tira das piores enrascadas, para alguns, Win é só um ricaço, com todos os estereótipos possíveis, mas quem o conhece sabe que não se deve analisa-lo só pela aparência, o melhor é nunca entrar no caminho dele. Para quem se lembra de ‘Alta Tensão’, ao final do livro o Win desaparece devido aos acontecimentos, e nas primeiras páginas de ‘Volta Para Casa’ descobrimos que ele está em Londres, ele está no rastro de uma pista quanto a dois meninos sequestrados 10 anos atrás, um dos meninos, Rhys é o filho da prima de Win. Rhys e seu amigo Patrick, foram sequestrados aos 6 anos e desde então não havia nenhum indício de que estavam vivos.

Quando Win vê o adolescente que ele acredita que seja Patrick, ele não hesita em agir, mas como seus modos não são nem um pouco convencionais, as coisas saem do controle e não resta nenhuma opção a não ser pedir ajuda do seu velho e melhor amigo.

Myron está em paz, depois dos acontecimentos do último livro da série do Mickey ‘A Toda Prova’, um peso saiu das costas dele. Ele voltou a morar no apartamento de Win no coração de Nova York, vendeu a MB Representações para uma agência maior e o melhor de tudo, sua noiva, Terese finalmente voltou da África, os dois estão vivendo uma espécie de bolha de felicidade, até que o telefone toca e ploft, Myron tem que escolher entre continuar ali com Terese ou viajar para ajudar seu melhor amigo.

É fácil chutar o que Myron escolheu, né?! Para ele não é nem uma escolha, é simplesmente um fato, Win nunca pensou duas vezes antes de ajuda-lo e pela primeira vez, é Myron quem precisa ir ao encontro do amigo para ajuda-lo. Ele embarca para Londres e depois de um ano, vê novamente o seu melhor amigo, é óbvio que sendo do Myron que estamos falando, teve que rolar um abraço.

Win coloca Myron a par dos acontecimentos, diz que perdeu o tal Patrick de vista e que precisa que Myron vá até o mesmo lugar e descubra onde está o garoto. O tal lugar era simplesmente o ponto físico de prostituição de Londres, lá tinha opções para todos os gostos. Myron é levado até o quartel general do dono da rua, um homem estranho conhecido como Fat Gandhi, tudo indica que é ele quem está com os dois meninos presos como espécie de escravos sexuais.
Após Myron colocar sua vida em risco em uma sequência desesperadora, ele consegue resgatar o Patrick, mas é nesse momento que tudo fica ainda mais complicado. Será que ele é realmente o Patrick? Onde está o Rhys? Com Fat Gandhi também? Por onde os dois estiveram durante todos esses anos? Pelas ruas?

A busca por essas respostas será feita em duas frentes, na Europa com Win continuando a investigar Fat Gandhi com a ajuda de ninguém mesmo que Zorra e nos EUA, Myron com o auxílio de Mickey, Ema, Colherada, além de claro, Esperanza e Big Cindy, ah, sabe uma certa liga de lutadoras da qual as duas faziam parte? Vou dizer apenas: Pequena Pocahontas está de volta!

Mas tudo parece fazer sentindo novamente apenas quando enfim Myron e Win juntam suas forças para descobrir toda a verdade, já que ela é sempre a melhor opção em detrimento da mais bela mentira.

O Harlan nos surpreende como sempre, não consegui adivinhar o quê ou quem estava por trás disso tudo, como sempre criei várias teorias, envolvendo as coisas mais loucas, mas no final não era nada disso, se não for assim não vale né?! Haha O presente para os fãs da série, que acompanham todos os personagens durante esses vários anos é o epílogo, já o li umas três vezes, a primeira leitura foi muito embaçada porque não conseguia segurar as lágrimas. Bem, o Harlan já disse algumas vezes que o final da série seria quando o Myron estivesse feliz, leia e tire suas próprias conclusões, mas prepare o coração.


“Segundo diziam, o esporte devia ser um reflexo da vida, uma lição de vida, um teste de força e resistência, uma excelente preparação para o mundo real. Isso era o que diziam. Mas esse não havia sido o caso para Myron. Para Myron, tudo rolava com facilidade na quadra de basquete, Na vida real, nem tanto.”

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Dia mundial do livro: Leia.Seja



Hoje é um dia mais que especial para quem gosta de ler, dia mundial do livro. Você sabe por que o dia de hoje foi selecionado? Tem origem lá na Espanha, foi
num 23 de abril que o famoso escritor Miguel Cervantes faleceu, dessa forma foi uma homenagem ao mesmo. Mais tarde a UNESCO instituiu o mesmo dia como  Dia Mundial do livro e do Direito de Autor, pelo fato de ser neste mesmo dia a data de falecimento de outros escritores como Josep Pla e William Shakespeare. Bem interessante né?

E novamente estamos apoiando a campanha Leia.Seja. Para saber mais sobre essa iniciativa é só clicar aqui Você se lembra do primeiro livro que você leu? Lembra do primeiro livro que você leu para alguém? A sua primeira ida a uma bienal ou quando comprou aquele livro especial na livraria?

Os livros fazem parte do nosso dia a dia. Quando estamos lendo uma fantasia, mergulhamos em um universo novo e esquecemos a vida real durante algum tempo, quando lemos um romance aprendemos a suspirar com casais apaixonados e torcer para um amor desses vir a acontecer com a gente, e quando lemos Harlan Coben, viramos detetives, articulamos e deixamos de dormir até chegar a última página. Quem já conseguiu desvendar tudo antes de chegar na última página? 



Você se lembra qual foi o livro que mais te fez chorar? Eu me lembro, virei a noite lendo e já quase de manhã com os olhos cheios de lágrimas terminei a última página, sofrendo muito, mas já amando cada segundo daquela experiência. Não me lembro do primeiro livro que li na vida, certamente foi algum conto de fadas, mas me lembro do primeiro livro policial que li, ‘A morte tem sete herdeiros’, era infanto-juvenil, mas que me transformou em fã do gênero. 


O meu primeiro livro policial oficial foi um do Harlan, ‘Desaparecido Para Sempre’, aquela primeira edição com a capa amarela da extinta editora ARX, isso foi em 2007, de lá pra cá já perdi a conta de quantos livros policiais já li. Eternos agradecimentos à Editora Sextante e posteriormente à Editora Arqueiro por publicarem os livros do Harlan, imagina se a gente não tivesse os lançamentos dele aqui? Melhor nem imaginar, né? Haha



Os livros mudam a gente, qualquer leitura é válida se te faz feliz. Toda leitura faz com que a gente se coloque no lugar do outro. Nesse 23 de abril, apenas Leia.Seja. Entre na campanha com a gente e compartilhe sua coleção de livros da Editora Arqueiro com a hashtag #leiaseja. 

Harlan, Julia Quinn, John Verdon, Dan Brown... quais são seus escritores favoritos da Arqueiro?

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Resenha: Um Sedutor Sem Coração / Lisa Kleypas


Primeiro livro da nova série da Lisa Kleypas, tem tudo que um romance de época deve ter: nos faz suspirar por um libertino, torcer para um final feliz e acreditar no amor.

Essa nova série será sobre os Ravenels, uma família desajustada, tem fama de serem muito impulsivos, não ligarem para nada e terem um temperamento muito difícil de lidar. Devon Ravenel estava muito bem, vivendo sua vida de libertinagem sem muitos estresses e sem responsabilidades com as quais se preocupar, até que com a morte de um primo distante ele se vê como o único herdeiro de um condado.

Além do título de conde, ele também herdou uma propriedade em Hampshire, terras em Norfolk e uma casa em Londres, não seria ruim possuir terras, o problema era que a propriedade estava caindo aos pedaços e com dívidas enormes, as terras que estavam arredadas também precisavam de várias obras e reparos, o primeiro pensamento de Devon foi vender tudo, ficar apenas com o título e não ter mais problemas em sua vida, isto que foi amplamente apoiado pelo seu irmão, West, tão libertino quanto ele, mas que tinha a bebida como sua principal companhia, mas o que Devon não sabia era que mudaria seu pensamento e faria de tudo para que as terras voltassem a ser produtivas e honrar o título.

Para aumentar os seus problemas, o tal primo também havia deixado três irmãs e uma viúva. E desde o primeiro momento em que se conhecem, Kathleen, a viúva, além de ser jovem, recatada e bela, tinha fortes opiniões e batia de frente com Devon em diversos momentos, ela tem um segredo e se culpava pela trágica morte do marido, apenas três dias após o casamento.

O que a gente pode perceber rapidamente são as faíscas que saem quando Kathleen e Devon estão juntos, descobrimos antes deles mesmo que eles estão apaixonados e o maior desafio vai ser eles entenderem e aceitarem o que sentem.

O alívio cômico do livro fica por conta das três irmãs Ravenels, com exceção de Helen, a irmã mais velha que possuía o decoro e refinamento esperados por quem faz parte da nobreza, as gêmeas Pandora e Cassandra quebram todas as regras possíveis, fazendo com que durante todo livro a gente dê várias risadas com suas aventuras e fiquemos também ansiosos pelos seus livros e como irão se apaixonar, dentre algumas de suas aventuras estão: adotar um porco como animal de estimação e escrever o nome dos convidados para o jantar com hieróglifos egípcios causando uma enorme confusão.

Após um susto com risco de vida para Devon, ele percebe que não pode mais esconder de si mesmo o que sente por Kathleen, não se importando os ritos necessários de luto, ela por outro lado se sentia cada vez mais culpada pelo que sentia por ele, nunca havia sentido algo parecido por Theo, seu marido. Enquanto eles tentam ter certeza de seus sentimentos, muitas cenas calientes nos mostram que eles foram feitos um para o outro.

Um diferencial deste livro é o contexto histórico, se tem o início da Revolução Industrial, com máquinas chegando aos campos, migrações para as cidades e uma certa decadência da nobreza que não se adaptou a esses avanços, quando Devon decide ficar com a propriedade e começa a tentar resolver todos os problemas dela, com a ajuda de seu irmão West, eles fazem acordos com donos de ferrovias, fazem compras de maquinários para facilitar a vida dos arrendatários mostrando que a vida no campo está mudando, bem como na capital com, por exemplo, uma loja de departamentos dos sonhos de um dos amigos dos irmãos, Rhys Winterborne, personagem este que provavelmente estará nos próximos livros da série, já que é um dos interesses amorosos de uma das irmãs.

Lisa Kleypas mostra que o amor pode surgir nos ambientes e das formas que a gente menos espera, que até mesmo um sedutor aparentemente sem coração pode descobrir que tem mais amor para dar do que poderia imaginar.



“Conheço muitos fatos científicos sobre o coração humano, e um deles é que é muito mais fácil fazer um coração parar de bater em definitivo do que evitar amar a pessoa errada.”

quinta-feira, 29 de março de 2018

Resenha: Operação Red Sparrow / Jason Matthews


Em 'Operação Red Sparrow' nós mergulhamos em um ambiente de espionagem extrema. Rússia contra Estados Unidos, relembrando a época da Guerra Fria e mostrando que uma guerra pode ser travada muito distante de um front.

Nathaniel Nash, Nate para os íntimos, é um jovem agente da CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) que tem como principal missão operar o informante mais valioso dos EUA, com o codinome ‘Marble’, o informante realizava encontros clandestinos com seus operadores para repassar aos americanos os últimos avanços da Rússia.

Dominika Egorova foi uma criança prodígio e tinha um grande amor, criado através de doutrinação escolar, pela sua pátria Rússia, ainda que seus pais fossem contra o governo, ela seguia firme apoiando o mesmo. Dominika tem um dom, ela consegue atribuir cores aos sons, dessa forma é muito difícil mentir para ela e esconder sentimentos, ela consegue praticamente ‘ler’ a mente daqueles com os quais ela conversa ou apenas observa. Foi esse dom que fez com que desde jovem ela conseguisse atingir os maiores níveis de aprovação no balé, pois na dança ela seguia as cores conforme a música mandava. Tudo vai por água abaixo quando após sofrer um acidente, Dominika fica impossibilitada de continuar na elite do balé e com a morte de seu pai, o único caminho que lhe restou foi ajudar o seu tio Vanya, um espião russo, em uma missão.

Dominika vai se envolvendo cada vez mais nas operações russas, e acaba se tornando guardiã de segredos que fariam a imagem de seu tio e da própria Rússia ir ao fundo do poço caso fossem divulgados. Dessa forma, Vanya coloca Dominika em uma espécie de Academia de Espionagem na qual ela se forma com mérito e posteriormente na escola de Pardais, local em que mulheres e homens russos aprendem todas as formas de seduzir homens e mulheres e retirar segredos dos mesmos. Até que uma importante missão é concedida a Dominika: seduzir o espião americano Nathaniel Nash e descobrir quem é o informante do mesmo.

Enquanto isso, Nate depois de uma operação mal sucedida é colocado na geladeira em Helsinque fazendo trabalhos burocráticos e tentando conseguir novos informantes. E é nesta mesma capital finlandesa que os caminhos de Nate e Dominika se cruzam, ele tentando fazer dela uma informante e ela tentando extrair segredos dele.

Aos poucos vamos descobrindo que os métodos russos não são nem um pouco amigáveis e após o desaparecimento da melhor amiga de Dominika, ela decide virar o jogo e se juntar aos americanos, se tornando uma agente dupla. E quando o fluxo de informações começa a chegar nos Estados Unidos fica claro que há alguém em terras americanas enviando informações aos russos. Na Rússia se tem o questionamento: ‘Quem é o espião russo que trabalha para os EUA?’ E na América: ‘Quem é o civil que vaza informações confidenciais para a Rússia?’

O leitor sabe de todas as respostas e ficamos a cada novo capítulo quase experts em espionagem e contraespionagem, você sabia que toda boa espionagem tem a sua própria contraespionagem? Que funciona da seguinte forma: agentes do seu mesmo time fazem aquilo que seria feito pelo time adversário e consequentemente acabam descobrindo se há espionagem de fato do adversário, cabe a um espião realmente bom escapar de todas essas pessoas para assim ficar ‘no escuro’ e poder captar as informações dos informantes em segurança.

Assumo que me interessei pela leitura deste livro após ver o trailer do filme, descobri só depois que o mesmo já havia sido publicado pela Editora Arqueiro com o título ‘Roleta Russa’ e preciso dizer que o título anterior fazia mais sentido. Tanto a capa nova do livro, quanto a própria divulgação do filme nos leva a crer que esta é uma história de uma espiã russa e não é bem assim, apesar de termos a Dominika ela não é o padrão de espiã russa que conhecemos de filmes e livros anteriores, ela fora praticamente jogada nessa posição. O livro é muito mais sobre espionagem e contraespionagem do que apenas sobre uma espiã.

Não há apenas uma operação, são tantas ao longo do livro que até perdi a conta e não há nenhuma operação chamada ‘Red Sparrow’ (Pardal Vermelho), são exatamente 423 páginas muito densas, tem termos técnicos, muitos personagens e algumas palavras em russo. Por fim, o livro foi escrito por um ex-agente da CIA, devido a isso achei um pouco tendencioso, como se os EUA fossem os salvadores. Dominika, por exemplo, só sente conforto nas palavras ditas pelos americanos, enquanto a grande maioria dos russos é caracterizada como rude e cruel outro fato interessante é que apenas o Putin de figura da vida real é citado, nenhuma personalidade americana verídica é citada. Por ser um livro de ficção, acho que o escritor não deveria ter citado personalidades reais de ambos os lados.

É um livro bem interessante para se visualizar como se realizam as operações de espionagem, pelo fato do escritor se um ex-agente, ficamos sempre nos perguntando o quê de todas essas páginas pode ter de fato acontecido, em tempos que um ex-espião russo foi morto em solo inglês com um veneno escondido em um presente que deram a filha do mesmo após uma viagem a Rússia, não é difícil pensar que ainda há muita espionagem acontecendo constantemente o no mundo real.




Trailer do filme:



quinta-feira, 15 de março de 2018

Resenha: Quando Ela Se Foi / Harlan Coben


No livro nove da série, Myron Bolitar coloca sua vida em risco enfrentando a polícia, serviço secreto e até mesmo terroristas para ajudar alguém muito especial, que já o ajudara no passado, Terese Collins.

Preciso deixar o alerta: Este é o livro 9 da série, pode ser lido individualmente porque a história tem início/meio/fim, mas indico a leitura na ordem, fará muito mais sentido e será bem mais interessante já conhecendo os personagens.

Para que leu a série na ordem, Terese não é uma personagem nova, em ‘Detalhe Final’ ela e Myron ambos passando por dificuldades em suas vidas pessoais fugiram para uma ilha paradisíaca no Caribe a fim de obter uma válvula de escape. Em ‘O medo mais profundo’, Terese novamente tem uma participação muito relevante ajudando o Myron a salvar seu filho, Jeremy. Depois que ela o ajuda, a ex-apresentadora da CNN some no mundo.

Quem conhece o Myron sabe que ele possui certo complexo de herói, não consegue ficar sem fazer nada se souber que tem alguém em perigo e não consegue simplesmente ‘deixar pra lá’ sem descobrir a verdade, depois que entra em alguma investigação.

No momento em que ele recebe uma ligação enigmática da Terese, na qual ela disse apenas: ‘Venha para Paris’, Myron não hesitou em ir ao seu encontro, já que no passado ela o ajudara muito. Chegando lá, ele descobre que o ex-marido de Terese, Rick Collins havia sido assassinado, no dia em que marcara um encontro com Terese para lhe contar algo que mudaria a vida dela.

E rapidamente surgem as perguntas: O que Rick queria contar a Terese? Quem matou Rick? E por que?

Myron com a ajuda fundamental de Win e Esperanza vai se envolvendo na investigação e descobre que fios de cabelo de uma moça loura foram encontrados na cena do crime do Rick, fios de cabelos estes que após exame de DNA só podem ser de uma filha de Rick e Terese, o problema é que a única filha que eles tiveram juntos morreu em um acidente de carro dez anos antes e neste momento junto com Myron ficamos pensando: O que tá acontecendo? Será que a filha de Terese está viva? O que realmente aconteceu no acidente?

Quando Myron é cercado em uma cafeteria, ele acaba se envolvendo em uma investigação internacional contra o terrorismo, se tornando alvo de ambos os lados e colocando sua vida em risco como nunca antes, dessa vez nem mesmo Win será capaz de salvar a sua pele.

Esse livro é um dos poucos em que Myron não se envolve em um crime, investigação ou busca por alguém desaparecido devido a um de seus clientes do MB representações, e se envolve em uma trama internacional, quanto a vida pessoal, Myron está namorando com Ali Wilder, mas é um relacionamento que parece que ele está mais envolvido que ela, Win por outro lado só quer saber de ‘Mee’ enquanto Esperanza, casada e com um filho pequeno tem uma mudança radical em sua vida desde a época da Pequena Pocahontas.

São 250 páginas que passam voando e a única certeza que temos é que cada vez mais queremos ler mais sobre estes personagens. 



“Nossa lógica nunca é linear. O raciocínio avança, recua, bate nas paredes, faz curvas fechadas e se perde em desvios. Qualquer coisa pode ser um elemento catalisador – e geralmente é algo que à primeira vista não tem nada a ver com o assunto em questão, alfo que lança nosso pensamento para uma direção inesperada e fatalmente resulta em uma solução que a lógica linear jamais teria suposto.”