domingo, 17 de setembro de 2017

Resenha da semana: Fortaleza Impossível / Jason Rekulak

Em ‘Fortaleza Impossível’ a gente viaja aos anos 80, com um grupo de amigos nem um pouco uniforme, mas que nos faz reviver nossos anos de escola e relembrar todas as escolhas e sonhos loucos que temos durante esse período de nossas vidas.

Você consegue imaginar um mundo sem computador? Ou pior sem smartphones e sem redes sociais? Doideira, né? Então, só que isso nem faz tanto tempo assim, logo ali nos anos 80, todas essas tecnologias, que hoje não vivemos sem, ainda nem existiam e é onde o livro é ambientado. Eu sou 90’s kid, então peguei um pouco desse mundo sem internet tão acessível, mas mesmo assim, em vários momentos me peguei pensando: ‘ah, manda um áudio no whats pra ela e pronto’, foi muito legal mergulhar nesse mundo sem wifi por alguns dias.

Billy Marvin é um daqueles garotos meio zero a esquerda na escola, com seus 14 anos não gostava de jogar futebol, não tinha notas altas, mas em uma coisa ele era bom: programar, seu sonho era ser um programador de jogos, mas este também era o seu segredo, que não ousava dividir nem com seus melhores amigos: Alf e Clark, o primeiro é aquele amigo louco que todo mundo sempre tem um, que tem as ideias mais insanas e Clark seria o galã da escola, se não tivesse nascido com um problema na mão, seus dedos são colados, então ele e seus amigos chamam uma de suas mãos de garra e é claro que Clark acreditava que todas as meninas se afastavam dele ao vê-la, então sempre tentava ao máximo escondê-la.

A aventura dos três se inicia quando Vanna White, uma das apresentadoras da TV mais famosa e favorita deles sai na revista Playboy. Eles e todo garoto de 14 anos ficam loucos para ver as fotos, mas como eram menores de idade não podiam simplesmente ir lá e comprar um exemplar, então eles bolam alguns planos para ter Vanna White em suas mãos.

E um desses planos, os leva até a loja do pai da Mary Zelinsky, uma menina gordinha da vizinhança, que sabia muito de programação, ela ao ver Billy interessado nos computadores Commodore 64, o entrega um panfleto de uma competição de games, onde o vencedor além de ganhar um prêmio em dinheiro poderia conhecer um super programador, ídolo do Billy, Fletcher Mulligan.

Quando Clark e Alf decidem que para conseguirem uma playboy precisariam seduzir Mary, Clark intervém dizendo que ele mesmo iria seduzir Mary. O que Clark e Alf não sabiam era que Clark e Mary formariam uma dupla de programadores. Ele tinha feito o ‘Fortaleza Digital’, mas não achava que estava perfeito, o achava muito lento, quando vira que Mary sabia muita coisa de programação, não perdeu a oportunidade de pedir algumas dicas, mas rapidamente os dois formam uma equipe inusitada numa corrida contra o tempo para deixar o jogo perfeito para a competição.

Billy e Mary vão se tornando cada vez mais próximos, no meio de códigos e mais códigos de programação, Vanna White vai se tornando cada vez menos importante para ele, diferentemente de seus amigos, que já haviam montado um grande esquema de venda de xerox das fotografias, para depois que conseguissem ter a revista em suas mãos.

O que Billy não poderia imaginar é que Mary escondia um grande segredo, que o seu jogo tão importante se tornaria um fardo e que teria a tão desejada revista a sua disposição, mas ficaria com raiva de colocar as mãos nela.

Esse livro foi uma viagem deliciosa aos anos 80, tem muitas referências e é impossível não se identificar, nem que seja um pouquinho com esses adolescentes, porque fazer escolhas erradas e não dizer o que realmente está sentindo está no DNA de todo mundo durante esse período da vida, o que posso dizer é que vale muito a pena se aventurar por todas as fases desse livro, para no final conseguir resgatar a princesa na fortaleza e receber de brinde uma ótima história.


Ficou curioso para jogar ‘Fortaleza Impossível’? O escritor realmente criou o jogo, clique aqui pra jogar.

domingo, 3 de setembro de 2017

Resenha da semana: Ligeiramente Perigosos / Mary Balogh

Mary Balogh finaliza a série dos Bedwyns de forma magistral: a história de amor de Wulfric, aquele que vimos por muito tempo como o homem de gelo, tem um coração muito maior do que poderíamos imaginar.

Wulfric Bedwyn, todo mundo que já leu algum livro da série o conhece, como o chefe da família, o frio duque de Bewcastle, que desde muito novo foi criado para esta função. Como todas as histórias de seus irmãos, a do Wulf não poderia ser diferente provando que quando se trata de amor e Bedwyns nada pode ser convencional. A gente conhece o duque que usa o seu monóculo e exala superioridade por onde quer que passe, mas que também sempre está presente para resolver os problemas de seus irmãos, será que Bewcastle tem um coração afinal? Após conseguir ajudar todos os seus irmãos a conseguirem seus ‘finais felizes’, Wulf está se sentindo sozinho, ainda mais após a morte de sua amante de longa data. É nessa vibe meio forever alone, que ele aceita passar uma temporada no interior de Londres, a pedido de um amigo.

O que ele não poderia imaginar que essa temporada era um noivado, com muitas jovens querendo arranjar um marido, e ele como duque, apesar de toda a frieza e idade avançada de 35 anos, era um ótimo partido.

Christine Derrick, por outro lado, sabia exatamente para qual temporada estava indo, e foi forçada a ir, pela sua amiga e anfitriã, já que o duque foi confirmado de última hora, então se Christine não fosse, o número de homens e mulheres seria diferente, isto que era inadmissível para a alta sociedade. Christine já era viúva antes de seus 30 anos, seu marido morrera jovem durante uma caçada, ela é um espírito livre, que ilumina todos os lugares, sempre está sorrindo e se dá super bem com as crianças.

Ambos não poderiam ser mais opostos não é mesmo? Mas certos orgulhos e preconceitos são quebrados ao longo desta temporada que ambos gostariam de num primeiro momento ter perdido, mas que mudará suas vidas para sempre.

E aos poucos vamos descobrindo mais sobre a vida da Christine, do porque ela vive com muito pouco após a morte do marido e com a história dela aprendemos que as vezes a rasteira vem daquela pessoa que a gente menos espera, quanto ao duque a cada página percebemos que o coração de gelo é muito mais mole que poderíamos imaginar. Enquanto ela foi criada podendo expor tudo que sentia a todo momento, ele foi criado para ter decoro, para nunca mostrar o que realmente está sentido ou pensando. Será que o amor é forte para superar tantas diferenças e mais, qual dos dois irá passar por cima de seu orgulho e seu preconceito para se entregar ao amor?

Quem nunca se escondeu com uma máscara de felicidade ou frieza? As vezes, não estamos realmente sentindo aquilo que expressamos, para nos proteger ou porque não queremos compartilhar nossos sentimentos mesmo, mas será que é melhor ser altamente espontâneo ou guardar tudo para si? A resposta certa não existe. Balogh nos mostra que quando você realmente ama alguém, todas as fachadas perdem o sentido, pois são desvendadas com apenas um olhar da pessoa amada.



Com vocês algumas lições do Wulf:

“Nunca se envolva emocionalmente com qualquer outra pessoa.
Nunca busque saber ou partilhar das emoções de outra pessoa.
Permaneça altivo
Lide com os fatos.

Sempre busque um curso de ação racional em qualquer situação, evitando agir por impulso ou dominado pela emoção.”

domingo, 27 de agosto de 2017

Resenha da semana: Paris para dois (um) e outros contos / Jojo Moyes

Jojo Moyes já é uma das escritoras de romances consagradas do nosso tempo, pegar qualquer um de seus livros é ter a certeza de que você irá se apaixonar pelas histórias, se identificar e ao mesmo tempo, pensar criticamente sobre sua própria vida.

Em Paris para dois e outros contos, temos dez histórias com o selo Jojo Moyes de aprovação, todas muito cativantes, este é um ótimo livro para quem nunca leu nada dela e quiser conhecer, porque é bem fininho e dá pra perceber a versatilidade de sua escrita.

O primeiro conto, o que dá o nome ao livro, Paris para dois um, é uma história sobre uma mulher que nunca saiu da sua zona de conforto, tem um emprego ok, serve de exemplo como a pessoa que nunca faz nada impulsivamente. Até que num belo dia ela resolve comprar passagens para ela e seu namorado, para um final de semana em Paris, só que em cima da hora seu bendito namorado, resolve não aparecer e ela fica sozinha em Paris. Em um primeiro momento ela resolve voltar pra casa imediatamente, mas como as passagens estavam muito caras, seu lado racional fala mais alto e ela acaba ficando em Paris. Tudo começa a mudar quando ela conhece um francês, um escritor frustrado, que ela leva para passeios em Paris e para uma verdadeira viagem de autoconhecimento, que a faz repensar todas as suas escolhas.

Os três contos seguintes: ‘Entre tuítes’, ‘Tarde de amor’ e ‘Um pássaro na mão’, colocam em questão a mesma coisa: Será que sua vida é baseada somente em verdades, ou construída em cima de mentiras muito bem articulas e o pior será que vale a pena descobrir a verdade e arruinar sua vida? Nestes três contos vemos diferentes respostas para esta pergunta.

O conto seguinte, ‘Sapatos de couro de crocodilo’, é um dos meus favoritos, e fala sobre o poder de um par de sapatos, mas que na verdade não tem poder algum, eles geram apenas uma grande autoconfiança para quem tem a oportunidade de usa-los, quem nunca se sentiu uma diva com Aqueles sapatos, não é mesmo? Haha

Os três contos seguintes são os das reviravoltas, em ‘Assalto’ vemos um assalto de fato, mas alô alô síndrome de Estocolmo, será que é possível se apaixonar pelo assaltante? ‘O casaco do ano passado’ é sobre como é ruim você projetar sua vida se baseando na vida alheia, qual é o problema se você usa o casaco do ano passado? É melhor do que ter um milhão de dívidas, ou será que não? E ‘Treze dias com John C’ é um dos contos mais loucos, e se você achasse um celular perdido, e recebesse várias mensagens de supostamente o amante da dona do celular, sua vida anda tão sem graça, que você resolve se passar pela dona do celular, nada poderia dar errado e um pouco de emoção na vida é sempre bem vinda, mas você nunca poderia imaginar quem era realmente John C.

O penúltimo conto ‘A lista de Natal’ é o conto mais fofo, e tem todo o espírito natalino, a protagonista vive um relacionamento abusivo sem nem se dar conta, quando pega um táxi que faz com que ela repense todas as suas ações e decida enfim ser feliz do seu jeito, já que a vida é curta demais pra ficar se preocupando com o tipo de bolo específico para o Natal.

E por fim, o último conto ‘Lua de Mel em Paris’, tem os fatos narrados anteriormente ao livro ‘A garota que você deixou pra trás’ (que por sinal é o meu livro favorito da Jojo). Neste conto conseguimos conhecer um pouco melhor os personagens e nele é o amor que está em questão, porque quando se tem realmente um amor recíproco na mais importa.


Os meus contos favoritos foram o primeiro e o último, ambos me transportaram para Paris, e tenho um fraco por finais felizes, então eles foram os mais marcantes. Minhas duas sensações ao ler todos esses contos foram: todos eles poderiam ser livros completos e todos eles poderiam virar filmes. Jojo nunca decepciona e posso indicar qualquer um de seus livros de olhos fechados.


domingo, 20 de agosto de 2017

Resenha da semana: Minha vida não tão perfeita / Sophie Kinsella

Você já reclamou da sua vida alguma vez? Já invejou a vida de alguém só por causa das fotos do instagram? Mas você está fazendo alguma coisa pra ter sua vida dos sonhos, ou só está preocupado com o seu próximo stories? Sophie Kinsella mais uma vez cria uma história que nos arranca risadas e que também nos faz refletir.

Katie Brenner está vivendo sua vida dos sonhos, saiu do interior, está morando em Londres, criou um novo apelido que é a cara de sua vida: Cat. Ela tem um emprego numa empresa super conceituada na sua área de branding (uma espécie de marketing) e um instagram de dar inveja a qualquer um, tudo certo não é mesmo? #sqn

A verdade é que ela mora super longe do trabalho, em um apartamento compartilhado, tem que acordar mega cedo, pegar várias conexões do metro, isso somado a uma bela caminhada, mas tudo bem se ela está fazendo o que gosta, certo? A verdade é que o seu emprego dos sonhos é um verdadeiro desastre.

Ela é subaproveitada, faz um pouco mais que um estagiário, nunca tem nenhuma real oportunidade de mostrar seus talentos e o pior tem uma chefe que é ao mesmo tempo, sua inspiração e o motivo de seu ódio constante, Demeter (a chefe) tem tudo:  o emprego, a casa, o marido, os filhos etc etc, tudo aquilo que qualquer um de nós sonha, e ela não cansa de se exibir: tem um novo restaurante na esquina, a Demeter já foi lá antes da inauguração, um novo lançamento literário, a Demeter já leu uma prova antes dele ser publicado e por ai vai, ela nunca gosta de ficar pra trás, mas uma coisa é um fato: ela é muito boa no que faz. Katie, ou melhor Cat, a vê como uma espécie de meta, tenta sempre aprender o máximo possível com a chefe.

Até que um dia, Demeter chama Katie em sua sala, Katie acredita que seria a oportunidade de mostrar seu valor, ela só não podia imaginar que seria para, pasmem, pintar o cabelo da bendita chefe, mas durante esse sofrido trabalho, Katie consegue descolar duas coisas: um livro emprestado e uma vaga numa importante reunião. Nesta reunião, Katie consegue dar algumas ideias e pensa que finalmente terá ser valor reconhecido.

Bem, alguns dias depois, quando Katie pega o mesmo elevador da chefe, esta dá a fatídica notícia de que Katie está demitida e mais Demeter achou que já tinha demitido Katie anteriormente, vamos combinar que Demeter não é um exemplo de organização, ela sempre está meio avoada, perde e-mails, troca o dia de reuniões, mas ela pode, já que é a chefe.

A demissão tira a já complicada vida da Katie dos eixos, agora ela está sem dinheiro, como irá se manter numa das cidades mais caras do mundo? Eis que surge uma oportunidade de onde ela menos espera, de casa, lá do interior, seu pai e sua madrasta tiveram a ideia de criar um glamping, que é uma espécie de acampamento chique, e pedem ajuda de Katie, ela não queria voltar para casa, já que seria sinônimo de que desistiu de seu sonho, mas não teve outra alternativa e disse ao seu pai que conseguiu um período sabático em sua empresa para poder ajuda-los no projeto.

A verdade é que o glamping em pouco tempo se torna um sucesso. E adivinha quem aparece por lá com a família, sim, Demeter. E Katie não podia perder a oportunidade de se vingar dela, não é mesmo?  O que Katie não poderia imaginar é que tem  outro lado da Demeter que ela nunca imaginou e ambas vão aos poucos descobrindo que nenhuma vida é perfeita.

O que vale mais? Experiências de verdade ou um instagram cheio de seguidores e likes? Fugir das redes sociais no nosso tempo é praticamente impossível, mas não devemos guiar nossas vidas pensando em qual será nosso próximo post ao invés de pensar em, por exemplo, só curtir aquele café, sem nenhuma foto. Sophie Kinsella nos trás personagens que nos evidenciam tudo isso e faz com que a gente crie um outro olhar até mesmo para aquelas pessoas que num primeiro momento parecem levar uma vida perfeita, somado a muitas risadas (assumo que ri alto no busão) e a um romance tão fofinho, que omiti da resenha para não dar spoliers e algumas reviravoltas fizeram com que esse livro se tornasse mais um dos meus queridinhos da Sophie.



“Acho que finalmente descobri como me sentir bem em relação à vida. Sempre que vir alguém muito feliz, lembre-se: essa pessoa também tem seus momentos não tão perfeitos. Claro que tem. E, sempre que você vir sua própria situação não tão perfeita, se sentir desesperado e pensar: minha vida é isso?, lembre-se: não é. Todo mundo tem um lado brilhante, ainda que seja difícil de encontrar às vezes.”

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

RESENHA - A MALDIÇÃO HOLLOW - Nora Roberts


A Maldição de Hollow é o segundo livro cheio de suspense e sobrenatural da trilogia A sina do sete.


Em irmãos de sangue , o primeiro da trilogia , conhecemos os três  amigos Cal, Fox e Gage que  inocentes partiram para a sua aventura do 10º aniversário ,a pequena aventura acaba sendo única e ali eles fazem um juramento de sangue, para permanecerem amigos fiéis para o resto de suas vidas ,porém ele acabam por  desencadear uma maldição de trezentos anos. Agora, a cada sete anos, os habitantes locais são atormentados por uma semana de loucura coletiva, levando a atos de um mal inexplicável.

Em A Maldição de Hollow, o segundo livro,  descreve as consequências que acompanham a liberação da maldição feita a 21 anos atrás . A batalha entre o grupo (Cal, Fox, Gage, Quinn, Cybil e Layla) e o demônio ligado à maldição, que continua cada vez mais forte com ataques cada vez mais violentos .

Neste segundo livro, acompanhamos a vida de Fox O'Dell , um advogado bem sucedido de cidade pequena,dedicado a sua família e amigos que tenta levar a vida cotidiana o mais normal possível.Desde aquele dia terrível na pedra pagã,Fox inexplicavelmente consegue ver o que se passa na mente das outras pessoas. É um dom que ele compartilha com Layla, a recém chegada de Nova York. 

" Algumas pessoas poderiam achar um pouco estranho se levantar de manhã e ir trabalhar como de costume quando os planos noturnos incluíam rituais de sangue. "



Layla, neste livro vai trabalhar  como secretária no escritório de Fox,estreitando assim a proximidade inevitável entre eles ,mas está extremamente assustada com sua nova habilidade  de ver  o que as pessoas estão pensando. Fox que ajuda-lá porém ele mesmo luta com seu dom .Fox sabe que deve ganhar sua confiança, para juntos combaterem a escuridão que ameaça a cidade . Mas ambos sabem  que  essa conexão íntima , uma vez iniciada,eles não terão defesas contra o desejo que ameaça consumir os dois .

No primeiro livro acompanhamos e conhecemos o casal Cal e Quinn ,este livro, foca em Fox e Layla, quais são suas histórias e como elas se juntam.Sendo assim podemos espera um ótimo último livro com as histórias de Gage e Cybil .

Nora Roberts faz um excelente trabalho de tecer uma teia de maravilhas em torno dos personagens, fazendo com que o leitor anseie sempre por  mais. Twisse (o demônio) está ficando mais forte e não poupa energia para atacar Fox, Layla, Gage, Cybil, Cal e Quinn. O leitor fica ansioso para ver o que Twisse fará, e quando fará, o próximo ataque.

As crianças são sempre mais loucas e assustadoras HAHA! 
O demônio - Twisse - costuma caminhar como um humano,sempre que esse menino aparece é meio tenso . Muito bem retratado o personagem.

Mais uma vez Nora Roberts reúne de forma deslumbrante e equilibrada humor, suspense e romance em uma história narrada de forma divertida. Somos mantidos  virando as páginas sem noção do tempo pela excelente narrativa de Nora .Seu talento para o desenvolvimento de personagens dramáticos e cativantes são especialmente evidentes nesta parte da trilogia.

Nora Roberts é subestimada como escritora de suspense, talvez por ser  classificada principalmente como escritora de romance.  Mas na minha humilde opinião ,como uma leitora voraz de ambos os gêneros ,ela não deixa a desejar, como em partes que passa de uma cena pacata em um escritório de advocacia para macabras alucinações induzidas por um demônio ,cenas bem construídas com máximo de descrições e ricamente detalhadas.

A Maldição de Hollow  é uma leitura fantástica. Seguindo Os Irmãos De Sangue primeiro livro na trilogia .Gostei de ambos.E aguardo ansiosa pelo terceiro livro desta trilogia cativante.

Nora Roberts fez um excelente trabalho escrevendo esta trilogia até agora. A Maldição de  Hollow capta a atenção e puxa o leitor para a história cheia de  suspense e sobrenatural uma ótima leitura.

RECOMENDO !!



domingo, 30 de julho de 2017

Resenha - A Casa do Lago - Kate Morton


"Não importava quanto uma pessoa corresse,não importava quão fresco fosse o recomeço que se permitisse ,o passado tinha uma forma de se projetar através dos anos e alcançá - la ."


Uma criança desaparecida - Uma casa abandonada - Um mistério não resolvido.

Vivendo na Casa do Lago da família em Cornualha,Alice Edevane é uma jovem brilhante, inocente e precocemente talentosa de dezesseis anos que ama escrever . Mas os mistérios que ela anda escrevendo não eram nada, comparado com o que sua família está prestes a enfrentar .


Depois de uma linda festa que levou centenas de convidados para a propriedade dos Edevanes,eles descobrem que seu filho mais novo, Theo de onze meses, desapareceu sem deixar rastros. O que se segue é uma tragédia que destrói a família de maneiras que nunca imaginaram.
Décadas depois, Sadie Sparrow um jovem detetive da polícia de Londres, que esta  na casa do avô em Cornualha,se depara com uma imensa propriedade antiga no meio do bosque ,após uma corrida matinal .Claramente abandonada há muito tempo,a casa é tão completamente esquecida como o jardim e o lago que a rodeia.

" Era difícil dizer o que lhe dava tanta certeza,mas,quando se virou para sair ...ela soube,com aquele frio na barriga - que algo terrível acontecera naquela casa."

Sadie que está em licença forçada por causa de um caso  envolvendo uma criança abandonada e mãe desaparecida, se aventura em pesquisar sobre o desaparecimento de Theo Edevane. Sua pesquisa leva a Alice Edevane,que agora vive em Londres, a irmã mais velha de Theo que uma  aclamada escritora de livros policiais,desfruta até então de uma longa e bem sucedida carreira, ao logo de seus 86 anos . 

Mas será que Alice  iria querer  que os segredos da família ressuscitassem após setenta anos?

Em a Casa do Lago há duas histórias funcionando paralelamente, que se entrelaçam à medida que o livro vai progredindo .Com uma habilidosa  narrativa de períodos de tempo e linhas de enredo ,revela uma história temperamental e misteriosa .Com um elenco rico de personagens e mesmo aqueles que desempenham um papel relativamente pequeno são pessoas reais e credíveis. E o enredo torna essa história extremamente atraente.

 As referências que Kete Morton fez há Sherlock Holmes e Agatha Christie  ao longo do livro não passa despercebido ,um detalhe bem apropriado tendo em vista que a personagem Alice que é autora de livros policiais não poderia deixar de ser fã de ambos. Simplesmente maravilhoso adorei .


Este livro irá transportá-lo para o campo da Cornualha,Kate Morton sabe como contar uma história detalhada. Há uma série de tópicos diferentes como mistérios e segredos enterrados ,temas familiares, abandono, separação mãe-filho, relacionamentos, passados ​​obscuros, transtorno de estresse pós-traumático e culpa. 

" A  única coisa com que se pode contar é que não se pode contar com ninguém . "


Um mistério agradável e bem desenhado o resultado é uma leitura completamente absorvente e dinâmica que é difícil de larga . 








terça-feira, 25 de julho de 2017

Resenha da semana: Mestre das Chamas/ Joe Hill

Em um futuro distópico no qual o mundo todo arde em chamas, a humanidade sofre risco de extinção e Joe Hill mostra que o ser-humano pode ser mais perigoso que um fungo letal.

“Para muita gente, a ideia de ser afastado de quem se ama assusta mais do que a doença. Ninguém quer morrer sozinho.”

Uma doença que se propaga, é assim que nossa história começa. Não se sabe de onde surgiu, não se sabe como curá-la a única certeza é que muitas pessoas estão morrendo de uma espécie de combustão voluntária, sim, as pessoas viram, literalmente, chamas. E rapidamente, a busca por respostas se torna irrelevante, já que a doença foi rapidamente disseminada.

‘Escama de Dragão’, é o nome dado a esta doença, porque o seu primeiro sintoma são listras amarelo-avermelhadas pela pele, que mostram que a pessoa está condenada a virar chamas dentro de algumas semanas.

“A escama de dragão era a bala, mas o dedo que puxava o gatilho era o medo”

Harper Grayson, uma enfermeira que ama ajudar a todos que estão ao seu redor, trabalha em uma escola primária e suas principais funções são: acalmar crianças e distribuir band-aids  e doces, ela é fã de Mary Poppins, então sempre acredita que uma colherada de açúcar pode salvar o dia. Sua vida muda rapidamente quando vê um homem explodir em chamas no jardim da escola, a partir desse momento, ela se torna uma enfermeira voluntária no hospital de quarentena para os infectados com escama de dragão, ela trabalha com um traje especial e muitos banhos com cloro para evitar a contaminação, que ninguém sabia ao certo como ocorria. Até que em um dia, todo o hospital vira chamas, ao que tudo indica, houve uma espécie de reação em cadeia, e fatos como este estavam ocorrendo no mundo todo, rapidamente coisas básicas como internet e energia elétrica se tornam um luxo para poucos.

Harper volta então para casa, para seu marido Jakob, que era um escritor frustrado e fazia um trabalho burocrático no departamento de obras do governo, não pode-se dizer que ele era um bom marido, já que sempre colocava Harper em uma posição inferior, como incapaz de realizar algo. Vocês podem imaginar o que ele fez, quando algumas semanas depois, apareceu uma listra da escama do dragão em Harper, justamente após os dois viverem altas noites calientes? Sim, ele a culpou e a abandonou, porque como ainda não havia aparecido nenhuma listra nele, talvez ele pudesse ter uma chance, já dá pra sentir o egoísmo não é mesmo? E o pior, Harper estava grávida.

Após algumas semanas de exclusão, Harper recebe uma visita de três pessoas, duas delas aparentemente crianças fantasiadas com máscaras, elas estavam acompanhadas de um homem vestido de bombeiro que soltava fumaça pela boca sem fumar nenhum cigarro, eles deram a Harper um apito, que era para ela usar caso estivesse em perigo.

E o perigo não tardou em chegar, na forma de Jakob, que teve a incrível ideia de que matar sua esposa era o melhor a ser feito. Após ser salva pelo apito e pelo misterioso bombeiro, Harper é levada para a Colônia Wyndham, um local onde várias pessoas sobrevivem com a escama de dragão, pois aprenderam a controla-la entrando para o 'brilho', uma espécie de coexistência pacífica com a doença, onde as pessoas em um estado de paz, literalmente brilham e a partir desse momento, sabem que a doença não é mais um risco eminente de virar chamas.

A partir desse ponto, percebemos que nada é tão simples quanto parece, a colônia Wyndham tem segredos e conspirações que podem levar todos ao perigo e o ‘brilho’ que em um primeiro momento parece ser o caminho para salvação, pode levar a perdição através de uma alienação típica de uma seita.

Harper se aproxima cada vez mais do misterioso bombeiro, que lhe deu o apito salvador, ambos já haviam se encontrado antes quando ela o ajudou durante um atendimento no hospital e aos poucos vamos percebendo que ambos nutrem uma atração recíproca.

Ao longo das páginas podemos perceber que o principal vilão da história não é a doença propriamente dita, é o próprio ser-humano, que ao invés de entender e praticar a alteridade cria patrulhas de cremação, que são pessoas que caçam os doentes para exterminá-los, perdendo dessa forma cada vez mais a humanidade. O livro é repleto de questões filosóficas, além de relacionamentos abusivos em questão, até onde você abre mão de sua individualidade em prol da vontade alheia?

“Os responsáveis por tomar as decisões sempre conseguem justificar atos terríveis em nome do bem maior. Um massacre aqui, uma pequena tortura ali. Torna-se moral fazer coisas que seria imorais se fossem atos de um indivíduo normal.”

Preciso destacar dois pontos positivos e dois negativos, primeiro os positivos: Joe Hill mandou muito bem na criação do motivo do ‘apocalipse’ uma doença, que não se sabe quem criou, de onde veio, é muito verossímil ao tempo presente, com a constante ameaça de armas químicas e o segundo ponto positivo é o questionamento da humanidade e como que ela pode ser frágil, quando a sua individualidade fica em risco. Os pontos negativos são: é um livro de mais de 500 páginas, tem muitas passagens que tornam a leitura cansativa, se retirasse umas 150 páginas, acho que a leitura iria render mais e o segundo ponto negativo é o final, não vou dizer spoliers, mas não foi um fim agradável após uma longa leitura, não entro no mérito de ser feliz ou triste, mas a meu ver não foi digno, após a longa jornada dos personagens.



“Às vezes eu penso que, com metade do mundo em chamas, com tanta morte, tanta dor, cantar e sentir-se bem é um tipo especial de pecado. Mas aí penso, ué, mesmo antes da Escama de Dragão a maioria das vidas humanas era injusta, brutal, cheia de perda, tristeza e confusão. A maioria das vidas humanas era e é curta demais.”