domingo, 11 de outubro de 2015

Resenha da semana: A Irmandade Perdida/ Anne Fortier

 Ler Anne Fortier é ter uma certeza: você irá mergulhar na história, viajar para lugares que você nunca poderia imaginar, através de incríveis reviravoltas e somado a tudo isso uma ótima pitada de romance.

“A Irmandade Perdida” é o segundo livro da Anne publicado no Brasil, o primeiro é o "Julieta" (cujo a leitura eu super recomendo). Um padrão dos livros da Anne é o incrível arcabouço histórico, (ela tem dourado em História pela Universidade Aarhus) e sim um arcabouço real, os fatos citados, os lugares para os quais viajamos são todos reais, claro que a história do livro é ficção, mas eu acho incrível a capacidade da Anne de transformar em romances, fatos reais e assim popularizar a história.

“É tudo um tabuleiro de xadrez de noites e dias... onde o Destino brinca com os homens como se fossem peças. Para lá e para cá elas se movem, se reproduzem, se matam. E uma a uma são guardados de volta no armário.” 

No início do livro somos apresentados, a duas mulheres fortes e bem decididas do que querem para suas vidas. Diana Morgan, dos dias atuais e Mirina da época da história antiga mais precisamente na Idade do Bronze Tardia. Diana é professora e filóloga da Universidade de Oxford, ela tem certa fixação pela história das amazonas, seu objetivo é provar no meio acadêmico que elas de fato existiram e mais suas raízes poderiam ter dado frutos até os dias atuais. Já Mirina, vê o lugar onde morava ser devastado e sua única saída é seguir para um lugar desconhecido, sobre o qual sua mãe falara, onde só havia mulheres e seguiam os preceitos da Deusa da Lua. Mirina parte então com sua irmã mais nova, Lili, em busca de um refúgio neste lugar.

A fixação de Diana pelas amazonas não era a toa, sua avó lhe contara muitas história sobre essas mulheres guerreiras durante sua infância, e segundo a avó, ela mesma havia sido uma amazona. Diana que sempre foi muito afeiçoada a ela sentia que precisava seguir os rastros das amazonas para quem sabe encontrar sua avó, que sumira muitos anos atrás e deixara a Diana dois objetos: um caderno, que servia como uma espécie de dicionário para um idioma que Diana não conhecia e um bracelete de chacal.

Quando Diana é convidada para uma consultoria sobre um achado que poderia remeter a existência das amazonas por uma misteriosa fundação, ela não hesita em seguir sua intuição e partir para uma grande jornada que iria mudar sua vida para sempre. É na Argélia que ela conhece o Nick Barrán, o representante da tal fundação, e ela pode perceber duas coisas: havia muitos segredos que ele não contara sobre a verdadeira função da consultoria dela e que Nick não era o tipo de pessoa que ela esperava encontrar, ele era um típico brutamonte apesar de ter certo charme. Enquanto isso Mirina e Lili conseguem chegar a sociedade de mulheres, mas Mirina se sente extremamente frustrada ao constatar que não era aquilo que ela esperava encontrar, as mulheres não eram caçadoras como ela, eram apenas sacerdotisas que não sabiam segurar ao menos uma faca.

Diana não estava sozinha na busca pelas amazonas, no seu caminho ela encontrou muitas outras pessoas dispostas a qualquer coisa para chegar primeiro às respostas pelas quais ela tanto ansiava. Da Argélia, vamos para Tunísia, Creta, ruínas de Troia, Grécia e até mesmo Alemanha, junto com Diana nas mais inusitadas situações. A cada novo lugar que as pistas levam Diana ela se sente mais perto de sua avó, mas mais perigo ela também está correndo.

As histórias de Mirina e Diana vão progredindo simultaneamente, enquanto vemos o que aconteceu mais de mil anos atrás, vemos também o encontro dos vestígios destes mesmos acontecimentos. Com o desenrolar da história e muitas reviravoltas nos dos tempos paralelos do livro, chegamos em um momento que não conseguimos parar de ler, e ficamos nos perguntando em quem Diana ou Mirina podem confiar. 

Você pode estar se perguntando sobre o romance, já que o livro é um romance, ora. Mas confie em mim, o romance desse livro irá fazer você num momento querer abraça-lo e depois fechar e chorar num cantinho com um chocolate, pra passar a tristeza. No livro temos dois homens altamente apaixonáveis, que são o sonho de consumo de qualquer mulher contemporânea ou da antiguidade, mas decidi que não irei falar sobre quem são eles, pois o desenrolar do romance, em ambos os tempos é tão incrível que deve ser uma descoberta na leitura, mas se você que está lendo gostar de spoliers e precisar saber sobre, pode ficar a vontade em mandar uma mensagem que ficarei feliz em contar essa parte.

Sempre gosto de falar sobre a parte estrutural do livro, porque isso as vezes é uma maravilha e outras estraga o livro. No da Anne esse lado é positivo. Os capítulos são quase em sua totalidade alternados entre Mirina e Diana, isso é muito legal porque quando acontece algo que você fica: “Ai, meu Deus! O que vai acontecer?”, o próximo capítulo muda a perspectiva, sendo que você terminou o capítulo anterior com o mesmo nervosismo, então sim, a leitura flui muito rapidamente, as 500 e poucas páginas que podem assustar, quando chegamos no final dá vontade de ter mais umas 200 pra ler. Além disso, quase todos os capítulos são iniciados por uma frase de alguma fonte histórica: tem Plutarco, Agamenon, Eurípides dentre outros, essas frases ou trechos dão o tom do que podemos esperar no capítulo. E por fim o livro é dividido em 6 grandes blocos: Crepúsculo, Aurora, Sol, Zênite, Eclipse e Equinócio que também estão ligados a parte da jornada que Mirina e Diana irão enfrentar, se preparem para o Sol e o Eclipse.

O que mais me chamou atenção no livro, além da parte histórica foi a mensagem que podemos extrair dele, temos duas mulheres principais que buscam seus objetivos não importa o que tenham que enfrentar, seja o risco de morte ou o castigo de uma divindade, nada as faz parar até que consigam chegar a aquilo que almejam. Elas sendo humanas erram e reconhecem seus erros, não tem aquela famosa frase que as vezes pensamos: “E se eu tivesse feito diferente” ou “E se eu não tivesse feito aquilo”? Então, tanto Mirina quanto Diana se questionam sobre esses “E se”, mas as duas nunca deixam de fazer o que acreditam que seja o correto, apesar de carregarem o fardo de que suas ações podem ter gerado elas nunca deixam de agir. 



“Eu sou uma amazona, matadora de animais e de homens. A liberdade corre em minhas veias; corda nenhuma pode me prender. Eu nada temo; é o medo que foge de mim. Ando sempre para frente, pois esse é o único caminho. Quem tentar me impedir sentirá minha fúria.”