domingo, 2 de julho de 2017

Resenha: A Grande Ilusão / Harlan Coben

E se toda a sua vida fosse baseada em mentiras? Até onde você iria para descobrir toda a verdade e o que você faria para proteger sua família? Harlan Coben mais uma vez nos presenteia com um suspense de tirar o fôlego e uma protagonista incrível.

A cada novo livro do Harlan, a gente começa a pensar que ele não vai conseguir nos surpreender mais uma vez, mas a cada nova página lida, nós percebemos que ficamos cada vez mais no escuro no meio de um milhão de teorias criadas na nossa cabeça e só conseguimos entender tudo nas últimas páginas.

‘A Grande Ilusão’ começa com um enterro, o enterro de Joe Burckett, marido de Maya Burckett, mas que prefere usar seu nome de solteira, Maya Stern. Ela é uma ex-piloto de operações especiais das forças armadas dos Estados Unidos, então está acostumada em ver a morte de perto, ela sente a morte do marido, mas não consegue largar seus antigos hábitos de inspecionar o lugar que está e as pessoas que estão ao seu redor, como se fossem alvos ou inimigos. A nossa primeira pergunta é: Quem matou Joe? E por que?

Alguns meses antes da morte de Joe, Claire irmã de Maya, havia sido torturada e assassinada enquanto Maya estava em uma missão, uma de suas maiores frustações é não ter protegido sua irmã, que deixou dois filhos e o marido Eddie, que se tornou uma pessoa completamente diferente após a morte da Claire, se entregando a bebida. E a nossa segunda pergunta é sobre a morte da Claire, será que tem algum envolvimento com a do Joe, mesmo tento sido muito tempo antes?

Após o enterro, Maya ganha de uma amiga um porta-retratos moderno, que tinha uma câmera escondida embutida e permitia a Maya ver tudo o que acontecia dentro de casa, como ela tinha uma filha de 2 anos, Lily, e não confiava muito em sua babá, ela resolveu usar o porta-retratos, mas o que Maya não poderia imaginar é que após alguns dias de gravação, quando ela estava assistindo ao vídeo, Joe, o seu falecido marido aparece na filmagem e brinca com Lily. Nesse momento Maya fica desorientada e junto com a gente, fica se perguntando: Será que o Joe está vivo?

A morte de Joe ocorreu durante uma tentativa de assalto quando ele e Maya haviam marcado de se encontrar no lugar favorito deles no Central Park, dois bandidos mascarados atiraram contra Joe, Maya quando percebeu o que estava acontecendo correu para buscar ajuda, mas ao voltar seu marido já estava morto. Mas será que foi uma armação, os bandidos comprados? Ou não foi uma tentativa de assalto e sim uma execução?

Maya começa então uma busca por verdades. Descobrimos que Claire, a sua irmã, e o Joe trabalhavam juntos em uma das muitas empresas dos Burketts. A família Burkett é extremamente rica, Maya nunca se identificou com toda essa riqueza, para ela aquilo não dizia nada. Ela tem em seu passado, um histórico de muitas missões bem sucedidas, via toda a ostentação como um mundo que não lhe pertencia, após lutar tanto para proteger o país, longe de conforto e muito perto do perigo e do risco de morte diário.

“Havia dias em que as músicas pareciam estar falando diretamente para ela. Seria assim com todo mundo? E havia músicas que às vezes espetavam o dedo diretamente nas suas feridas.”

Cada novo passo que ela dá em suas investigações, ela vai percebendo que talvez ela não conhecia de verdade o homem com o qual casou, o amável Joe, que a conquistara com um sorriso pode ter mais escuridão no seu passado do que ela na guerra.

Posso dizer com propriedade que Maya é a protagonista feminina mais forte que o Harlan já criou, ela é ex-militar, uma atiradora de elite, muito determinada e não se importa se os caminhos que escolhe percorrer não são os mais corretos, se ela tiver que proteger os seus, ou buscar justiça, nada mais importa.

O Harlan retratou muito bem a vida da ‘Maya ex-militar’: como ter uma vida ‘normal’, após viver uma guerra? Como entender e se identificar com os problemas cotidianos sabendo que nesse mesmo momento tem gente morrendo para proteger os interesses do país? Uma guerra destrói muitos lugares, acaba com muitas vidas, seja para a morte ou para ter distúrbios incuráveis, como, por exemplo, a vivência diária dos traumas do campo de batalha ou até mesmo a necessidade de ter aquela adrenalina da guerra, de atirar contra o inimigo novamente. Foi muito interessante ver o mundo a partir do olhar da Maya e entender como deve ser difícil superar tudo isso.

Além de tudo isso, o livro também nos apresenta os perigos e possibilidades da nossa atualidade tecnológica, ao mesmo tempo em que podemos nos sentir seguros com uma câmera, esta mesma pode ser violada e você ver seus segredos expostos num site qualquer, mas se a violação expuser segredos de empresas ou políticos que podem ajudar a justiça, poderia ser válida em prol de um bem maior, ou não?

Como sempre o Harlan nos mostra que nunca tem só o preto e o branco, tem muitos tons de cinza entre ambos, não existem respostas certas nem verdades absolutas. Por fim, a ‘A Grande Ilusão’ tem sim um dos finais mais chocantes já escritos pelo Harlan. Você acha que sabe a verdade, a verdade é que você não sabe de nada.

“O fantasma da morte persegue você, Maya”

Você sabia? 'A Grande Ilusão' irá para as telonas e Maya será ninguém menos que Julia Roberts, fiquem ligados na página que conforme forem surgindo novas informações publicaremos. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário